Acúmulo de funções no trabalho e na vida doméstica está afetando a saúde das mulheres

Conteúdo original Pequenas Empresas & Grandes Negócios

Um m novo estudo publicado pela Universidade Nacional da Austrália aponta um aspecto perigoso para as profissionais do sexo feminino: sua saúde está sendo comprometida por conta de longas horas de trabalhos combinadas com as tarefas domésticas. A pesquisa mostra que, por conta do trabalho extra que têm de realizar em casa (na maior parte das vezes sem ajuda de seus companheiros), as mulheres deveriam trabalhar 34 horas por semana. Este, dizem os especialistas por trás do estudo, seria um limite saudável para as profissionais – enquanto o do homem seria de 47 horas.

A verdade, contudo, é que a maior parte dos empregos exigem muito mais do que 34 horas por semana. Dados de 8 mil adultos australianos apontaram que dois terços dos funcionários do país trabalham mais de 40 horas semanalmente.

“Os homens têm uma vantagem que as mulheres não têm. Trabalhar por muito tempo afeta a saúde psicológica e física de qualquer pessoa, porque deixa pouco ou nenhum tempo para que cuidem de si mesmos propriamente”, diz Dr. Huong Ding, líder da pesquisa. “Dada a extraordinária carga de demandas colocada sob os ombros das mulheres, é impossível que elas continuem mantendo uma rotina assim sem comprometer sua saúde.”

Dados da OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development) apontam que uma mulher se dedica 4,5 horas às tarefas do lar, enquanto os homens contribuem com menos da metade desse tempo. A professora Lyndall Strazdins, coautor do estudo da universidade australiana, chama essa comparação de “desigualdade de tempo”. “Homens tem uma vantagem de tempo no mercado de trabalho que a mulher não tem”, diz.

Na média, os homens australianos trabalham 41 horas por semana, enquanto as mulheres somam 36 horas. O que a professora acredita, contudo, é que eles conseguem ficar essas horas a mais no escritório porque podem, porque têm menos responsabilidades na vida doméstica.

A diferença de tempo entre a carga de trabalho de um homem e uma mulher pode chegar, então, a 100 horas por ano. A questão é complicada porque pode virar uma faca de dois gumes. Se nós encorajarmos mulheres a compensarem essa diferença de horas, nós basicamente estamos convencendo-as a trocar sua saúde por igualdade de gênero”, diz Lyndall.

A solução, a pesquisadora acredita, é conseguir reduzir a carga horária de homens no trabalho e torna-los mais atuantes na vida doméstica e familiar. “É um processo demorado e difícil porque representa uma grande mudança social.”

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