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Café da Manhã para alérgicos

Conteúdo original Mais Equilíbrio

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O café da manhã tipicamente brasileiro costuma ser o tormento de muitos alérgicos: café preto ou achocolatado, leite, pão francês, manteiga, queijo minas e em alguns casos ovos mexidos. Embora seja o mais tradicional, não é o mais adequado nessa situação. Então, o que comer?

Todos já ouvimos pelo menos alguma vez na vida que o café da manhã é a refeição mais importante do dia. Igualmente ouvimos que muita gente acaba pulando essa refeição por falta de tempo, para poder dormir mais um pouquinho ou não sente vontade de comer pela manhã.

E se somado à alergia alimentar, essa refeição acaba ficando de lado mesmo. Mas para incentivar os alérgicos a investir nesse super parceiro, tornando-o um aliado para sua vida saudável, segue a receita do que é chamado de “café da manhã PEGH”.

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P = proteínas

O ovo é uma maravilhosa fonte de proteínas, mas para quem tem alergia, o grande lance é investir no grão de bico. Você pode, inclusive, usar junto com tahine nas receitas, assim você já tem uma excelente fonte de cálcio, para substituir o queijo e o leite.

Pasta de Grão de Bico

  • 2 xícaras (chá) de grão de bico cozida
  • 1 colher (sopa) de azeite
  • 1 dente de alho
  • ½ cebola pequena
  • 1 colher (chá) de suco de limão
  • 2 colheres (sopa) de tahine (opcional)

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Bata tudo no processador. Se você gosta da sensação de mastigar, bata só o suficiente para unir os ingredientes ou até virar uma pasta. Pode congelar por 3 meses. Dica: divida em saquinhos de geladinho para consumo diário. Deixe na geladeira na noite anterior para descongelar.

E = energia

O pão francês é um vício nacional. Mas a tapioca já está tomando esse posto. Para quem gosta de recheios doces, pode bater frutas tipo: morango, manga, pêssego ou as frutas vermelhas no liquidificador com chia. Rende uma deliciosa e natural geleia.

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Geleia de frutas

  • 4 xícaras (chá) de morango ou outra fruta
  • 4 tâmaras
  • ½ xícara (chá) de chia

Adicione os morangos e as tâmaras no processador e misture durante 1 a 2 minutos. Transfira para uma tigela e misture as sementes de chia. Leve à geladeira por duas horas para engrossar. Dura 5 dias na geladeira.

Outro substituto ao pão são os tubérculos: mandioca, cará, inhame e batata-doce. Eles podem ser congelados já cozidos, facilitando muito na correria da manhã, e ficam ótimos com a pasta de grão de bico.

G= gorduras

Para a cota diária de gordura pode-se adicionar ao cardápio o creme de castanha de caju, que pode ser usado doce ou salgado.

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Creme de castanha de caju

  • 1 xícara (chá) de castanha de caju crua
  • Até ½ xícara (chá) de água
  • Suco de 1 limão

Para versão doce, acrescente 2 colheres (sopa) de mel, melado ou xarope de bordo e para versão salgada, 2 colheres (sopa) de azeite e ½ colher (chá) de sal.

Coloque água quente nas castanhas e deixe de molho por 10 minutos. Bata tudo no processador. Vá colocando a água aos poucos até chegar na consistência de creme. Dura 10 dias na geladeira. Pode ser congelado por 3 meses, e enquanto você se arruma para sair, ou tira uma soneca de mais 5 minutos, ele pode ficar no forno aquecendo.

H= hidratação

O café preto não é um problema para os alérgicos, mas o açúcar pode ser. Muitos conseguem tomar café sem açúcar batendo com óleo de coco e manteiga ghee, mas em alguns casos, há necessidade de liberação do médico ou nutricionista para consumir a ghee.

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Parece estranho mas é delicioso. Outras opções são chás de erva doce, camomila, capim cidreira puros ou em combinação com leite de amêndoas quente e canela. Para que tem dificuldade para comer pela manhã, as bebidas geladas e compostas com frutas, legumes e sementes são ótimas opções, ou ainda creme de frutas com granola para quem precisa mastigar para se sentir saciado.

Suco hidratante de melancia com gengibre e manjericão

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  • 3 xícaras (chá) de melancia
  • ¼ xícara (chá) de manjericão
  • ½ colher (chá) de gengibre ralado

Bata tudo no liquidificador. Não é preciso acrescentar água. Pode ser congelado, mas sem os temperos. Para descongelar, deixe no liquidificador um pouco, e depois basta dar uma leve batida com os temperos para homogeneizar. Outra opção é congelar as frutas já descascadas e cortadas, e só bater pela manhã.

Alergia alimentar tardia

Nosso corpo é bem peculiar, não é?! É até engraçado pensar que de uma hora para outra nosso organismo pode rejeitar um alimento ou substância. E acontece! É o que se chama de alergia ou intolerância tardia.

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Hoje, inclusive, aproveitei para selecionar esse texto, original da Mãe Terra, porque aconteceu esse episódio aconteceu comigo. Depois de quase 30 anos consumindo leite praticamente todos os dias, desenvolvi alergia. Comecei a ter crises fortes de rinite, sem motivo aparente. Até que parei para observar o comportamento da rinite relacionado à alimentação. E, pronto! Era só tomar leite e, depois de 20, 30 minutos, vinha uma crise terrível.

Atualmente, aprendi a compensar e não tive mais nenhum episódio alérgico. Não faço consumo diário de leite e mantenho meu cardápio bem variado em verduras, frutas e legumes. Vamos saber um pouquinho mais sobre isso:

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“Quando falamos de alergias alimentares, geralmente o que vem primeiro à mente são aquelas reações mais clássicas como prurido e vermelhidão da pele, edemas pelo corpo etc. Esses são sinais clássicos do que chamamos de alergia imediata, mas queremos lembrar que além deste, existe um outro tipo de alergia muito mais comum, que corresponde a  cerca de 98% das alergias alimentares: são as alergias tardias, que recebem esse nome porque seus sinais se manifestam  entre 2 e 72 horas depois do contato com o alimento.

Diferente das alergias imediatas (que se manifestam imediatamente ou até 8 horas depois do contato com o alimento, com grande atuação das imunoglobulinas do tipo E), as tardias nem sempre têm diagnóstico fácil, exatamente pela dificuldade de se saber exatamente qual alimento a causou. Com prevalência das imunoglobulinas do tipo G, os seus sinais podem aparecer de diversas formas, seja por problemas respiratórios (rinite, bronquite, sinusite), otite, enxaqueca, insônia, hiperatividade, ansiedade, depressão, dermatites, micoses, obesidade etc.

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Seja qual for o tipo de alergia diagnosticada, a primeira conduta do tratamento é a exclusão total do alimento alergênico por período que varia conforme a gravidade do caso. Há casos em que a exclusão total precisa ser permanente, principalmente quando o alimento coloca em risco a vida do paciente.

Confira os principais alimentos alergênicos e as sugestões de substitutos no tratamento:

Tabela Intolerancia

Outro ponto importante, que costuma causar confusão mesmo entre os profissionais é a diferença entre alergia e intolerância alimentar. A alergia é uma reação imunitária que acontece a partir do contato com as proteínas do alimento, já a intolerância refere-se a qualquer resposta anormal do organismo a um alimento ou aditivo, mas que não ativa o sistema imunitário.

Um exemplo clássico dessa diferença é a alergia ao leite (citada na tabela acima) e a intolerância à lactose, que acontece no trato digestório, quando há falta da enzima lactase (que digere a lactose). Os sinais mais comuns da intolerância à lactose são diarreia, flatulência e sensação de estufamento abdominal.

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Tanto o diagnóstico das alergias quanto das intolerâncias não costuma ser simples, até porque, principalmente no caso das alergias tardias, deve-se considerar outros fatores como predisposição genética, exposição ambiental, fatores emocionais etc. A tarefa do nutricionista clínico e do médico é fazer uma avaliação bem detalhada para trazer melhores resultados no tratamento.”

Referências Bibliográficas:
1- CARREIRO, D.M. Terapia Nutricional na Alergia Alimentar. VP Consultoria, 2006.
2- PEREIRA, ACS e col. Alergia alimentar: sistema imunológico e principais alimentos envolvidos. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde. 29(2): 189-200, 2008.
3- CORDAIN, L e col. Modulation of immune function by dietary lectins in rheumatoid arthritis. Br J Nutr. 83(3): 207-17, 2000.
4. VIRTANEN, SM e KNIP, M. Nutritional risk predictors of beta cell autoimmunity and type 1 diabetes at a young age. Am J Clin Nutr. 78(6): 1053-67.
5- THUNE, P e GRANHOLT, A. Provocation tests with antiphlogistica and food additives in recurrent urticaria. Dermatologica. 151(6):360-7, 1975.
6- BITTENCOURT, AL e col. Immunogenicity and allergenicity of 2S, 7S and 11S protein fractions. Rev Bras Cien Farm. 43(40: 597-606,2007.

Rinite: conheça os tipos e saiba como tratá-los

Artigo da Dra. Rosane Bleivas Bergwerk, alergologista e imunologista, para Minha Vida.

A rinite vasomotora pode ser definida por um estado de hiperreatividade (reatividade aumentada) a estímulos não específicos, como mudança de temperatura ambiente e umidade, odores fortes – como perfumes, cloro e solventes – ou irritantes, como fumaça de cigarro. Esses fatores funcionam como um gatilho para desestabilizar o sistema nervoso autônomo levando a uma hiperreatividade da mucosa nasal.

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Atualmente a rinite vasomotora é conhecida como rinite idiopática. Descobriu-se posteriormente que o componente vasomotor não era o único mecanismo fisiopatológico deste tipo de rinite. Além do mais, esse componente não está presente unicamente neste tipo de rinite, mas em todos em maior ou menor grau. Ela é classificada como idiopática por não se conhecer a sua causa e os fatores desencadeantes serem inespecíficos. Geralmente acomete adultos entre os 40 e os 60 anos.

A rinite alérgica é definida como inflamação da mucosa nasal com sintomas de obstrução nasal (entupimento nasal), espirros, prurido nasal (coceira no nariz) e/ou rinorreia aquosa (coriza). É uma doença de natureza genética mediada por um anticorpo denominado IgE e os sintomas acontecem após exposição a diversos alérgenos, como ácaros da poeira, fungos, baratas, pólens e epitélios de gatos e cães.

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rinite alérgica pode ser desencadeada ou agravada também pela exposição à mudanças bruscas de clima, inalação de irritantes específicos (odores fortes, gás de cozinha, fumaça de cigarro, ar frio e seco) em indivíduos predispostos. Nos casos de rinite alérgica, há uma história familiar positiva para alergia e os testes alérgicos são positivos, com dosagens de IgE total que podem ser aumentadas e IgE específica positiva.

Na rinite idiopática, tanto a história familiar para alergia como os testes alérgicos são negativos, com IgE total normal e IgE específica negativa. Os fatores desencadeantes são os já citados.

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Na rinite alérgica o paciente pode apresentar qualquer um desses sintomas: obstrução nasal, coriza, espirros e/ou prurido nasal. Na rinite idiopática há obstrução nasal, que é o fator mais importante, gotejamento nasal posterior e rinorreia (coriza) abundante. Geralmente espirros e prurido nasal não estão presentes.

O tratamento da rinite idiopática consiste na aplicação de corticosteroide tópico nasal por determinado período com acompanhamento do especialista alergista ou otorrinolaringologista. O objetivo é de melhorar a obstrução nasal e secundariamente a rinorreia e o gotejamento nasal posterior. Pode-se utilizar em sintomas agudos anti-histamínico oral com descongestionante. Em casos mais graves de obstrução nasal um período curto de corticosteroide oral pode ser necessário.

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No tratamento da rinite alérgica pode-se utilizar corticoesteroides nasais tópicos, anti-histamínicos orais e imunoterapia específica injetável ou sublingual, além de orientação de higiene ambiental.

A doença não tem cura, mas é possível obter o controle com medicamentos tópicos preventivos e tentar evitar, dentro do possível, os fatores desencadeantes.