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Geração saúde ou geração tormento?

Não raro, vemos por aí muitos projetos para emagrecimento, dietas que prometem milagres e a continuidade da já antiga ditadura da beleza esculpindo outros moldes: a geração sarada.

Aqui, buscamos dicas, temas e conhecimento para tentar contribuir para que a sua vida seja mais leve, sadia e equilibrada. Não tem certo ou errado. O que existe é aquilo que você elege para si como saudável e adequado.

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Por isso, resolvemos compartilhar uma entrevista muito interessante com a nutricionista Paola Altheia, escrita pela colunista Juliana de Faria, do site M de Mulher. É curta e vale a pena ler e refletir. Confira:

“Lemos o tempo todo sobre corpos saudáveis, comidas saudáveis, exercícios saudáveis e, no entanto, muito pouco sabemos sobre o que é ter saúde de fato. Isso porque temas tão importantes e delicados como cuidado ao corpo e auto-estima passaram a ser tratados de forma bruta, desumana e nociva.

Informações falsas e equivocadas são divulgadas em mídias sociais de pessoas sem instruções ou conhecimento médico, confundindo as pessoas e as estimulando a fazer dietas e #projetos malucos. Humilhações disfarçadas de motivação são espalhadas aos quatro cantos do mundo fit – quem nunca se deparou com a conhecida frase “se está ruim para mim, imagina para quem jantou”.

Será que já não está na hora de repensarmos esta conversa? De sermos mais generosas com nós mesmas, com nossos corpos e os corpos alheios? Encontrar uma abordagem ao tema que seja mais humana, que coloque nosso bem-estar como prioridade?

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Essa é a luta de Paola Altheia, nutricionista, bailarina e criadora do Não Sou Exposição, blog onde ela, de maneira didática e bem-humorada, desconstrói os mitos do emagrecimento e padrões de beleza. Aqui, ela fala sobre os erros da tal “geração saúde” e como podemos vencer ansiedades geradas por esse mercado:

Juliana de Faria: Qual a sua visão sobre o momento atual com relação ao cuidado do corpo, alimentação e nutrição?
Paola Altheia: É um momento preocupante e paradoxal. Porque nunca se falou tanto em vida saudável e comidas especiais e nunca se observou um crescimento tão vertiginoso dos problemas de comportamento alimentar e de autoimagem. Fat Talk e Diet Talk, expressões que não têm (ainda) equivalentes em português, expressam o desconforto das mentes das pessoas completamente aterrorizadas, detestando seus corpos e sem saber o que comer.

Quantas vezes testemunhamos diálogos sobre a culpa de ter saído da dieta, ou sobre o quanto um determinado alimento é calórico ou uma dica para “secar barriga” (a barriga estava molhada?). E quantas vezes na semana um grupo de mulheres é capaz de se reunir para cantar uma ladainha de críticas ao próprio corpo (celulites, dobrinhas, estrias, gordurinhas, peso, número do manequim…).

A tal da “geração saúde” é, na verdade, a “geração tormento”. A comunidade médica e científica está tão desesperada para conter o avanço do sobrepeso, da obesidade e das doenças crônicas ao redor do globo que o resultado disso é que atualmente vivemos um momento de franco terror dos alimentos e da gordura (no nosso corpo, no corpo dos outros e na comida).

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JF: O que é o terrorismo alimentar e como podemos estabelecer uma relação de paz com a comida?
PA: O terrorismo nutricional é a dicotomia pode/não pode, bom/ruim, certo/errado, saudável/não saudável. A alimentação humana, que é manifestação cultural e fator de socialização, está sendo discutida e definida de forma reducionista, alarmante e simplista. As pessoas estão desnorteadas, sem saber o que comer e acreditando que os alimentos podem ter propriedades mágicas de emagrecimento ou um potencial engordativo satânico (aliás, quando eu falo sobre culto ao corpo eu quero dizer “culto” no sentido pleno da palavra: nós adoramos corpos. Veneramos a massa magra. E acreditamos que a gordura é a fonte do Mal na Terra).

Para se desfazer deste pensamento perturbador, é importante entendermos que o que vai definir se um alimento engorda/emagrece ou faz bem/faz mal é a quantidade e a frequência do consumo. Ou seja: a questão não é o alimento em si, mas sim o uso que se faz dele. Eu sou nutricionista, no entanto, não acredito em dietas e não as prescrevo.

Cada pessoa precisa resgatar a consciência corporal necessária para identificar seus sinais de fome e saciedade sem que normas alimentares comandem seu corpo de fora para dentro. A alimentação saudável é um fenômeno que ocorre de dentro para fora. Muito se propaga que a pessoa emagrece e em seguida vai ficar em paz. E a realidade é o inverso disso: primeiro você fica em paz com os alimentos e com o seu corpo. E o emagrecimento vem por consequência.

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JF: Você sofre com muita violência online. Fale um pouco sobre gordofobia e o motivo que leva as pessoas a agirem assim.
PA: Existem pessoas que me vêem como uma maluca que fica na internet glorificando a obesidade. Que sou uma nutricionista que escolheu o curso errado porque eu não passo dietas. Onde já se viu dizer que uma pessoa gorda tem o direito de ser feliz, se tudo o que a sociedade prega é o contrário? O meu trabalho é um vilipêndio contra crenças limitantes profundamente enraizadas na cabeça das pessoas: mulheres têm obrigação de fazer dieta, todo magro é saudável, todo gordo é doente, magreza é bonito , gordura é feio, magros têm disciplina e gordos não têm “força de vontade”.

Eu chacoalho este tonel de preconceitos, chacoalho duro e chacoalho forte! Algumas pessoas sobem pelas paredes porque eu digo que não é proibido comer bolo de chocolate e que ninguém tem a obrigação de ir para academia malhar todos os dias. Lembremos que o que eu proponho é o caminho do meio. A corda do instrumento quando muito tensionada, arrebenta e quando muito frouxa, não produz som algum.

Nós também precisamos encontrar o bom senso e o equilíbrio no nosso cuidado com a saúde. Gosto da Frase de Oscar Wilde que diz que “convém ser moderado em tudo, até na moderação”. Em tempos de No Pain, No Gain não há lugar para a moderação (e um pouquinho de preguiça). Essa é a razão de tanta animosidade. Haters e cyberbullying são realidades que todo blogueiro enfrenta. Eles podem te derrubar ou você pode usá-los como trampolim. Eu prefiro a segunda opção.”

Fonte: M de Mulher

Pesadelos Reais + Auto-exigências: combinação perigosa!

Este texto é uma reflexão da Ivana, uma artista que comanda uma página muito bacana nas redes sociais, mesclando ilustrações com situações cotidianas muito comuns (daquelas que a gente se identifica mesmo).

Julguei interessante e válido para uma segunda-feira, excelente para refletir e, quem sabe, tomar novas posturas e posicionamentos na vida.

“Um belo dia acordamos e estamos levando a nossa vida “normalmente”, com nossos pensamentos e compromissos “normais”, executando coisas “normais”, achando que tudo está certo.

Até o momento que você passa por uma situação bizarra com uma combinação explosiva e destruidora: o puxão de orelha. O problema é quando ele passa da conta, te deixa sem reação, sem pensamento nenhum.. você se vê numa ilha cercada de monstros que viviam dentro da sua cabeça.

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No primeiro momento o pensamento é MORRER: ‘realmente, não tenho jeito, sou péssima, não me esforcei o suficiente…’ e se afunda num poço fundo e escuro, ouvindo essas vozes venenosas (sim, elas são) que habitam o pensamento.

Então você pensa: mas por que eu estou tão mal? (como se já não fosse óbvio ficar mal) E chega à conclusão que você acabou de ouvir tudo o que mais temia: QUE VOCÊ É UMA FARSA! Isso mesmo! Você acabou de ser pega! Ó meu deus, descobriram meu segredo!

Você acabou de escutar absolutamente TUDO que mais temia: alguém falando que você NÃO ESTÁ FAZENDO O SERVIÇO DIREITO. Nesse momento, o choro já está incontrolável, sua garganta parece que tem um gato dentro e parece que nada mais faz sentido.

A visão fica turva e o pânico toma conta. Mas em algum momento uma voz fininha grita lá dentro de você: HEY, GAROTA! CALMA, põe a cabeça no lugar! E vem uma força não sei de onde dizendo: PONDERE essas informações, não é possível que você seja tão ruim assim! Tem algo errado nessa história… 

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Aí, você resolve abrir seu coração para algumas pessoas e elas te trazem novamente um pouco pra realidade e ajudam a analisar as coisas sem pânico, sofrimento ou desespero. Sua consciência vai voltando e você enxerga UMA LUZ no fim do túnel… mas não supera a dor, essa já é visto que vai demorar para passar.

A conclusão é que você ouviu de alguém aquilo tudo que você diz para si mesma todos os dias: FAÇA MAIS! BUSQUE MAIS! AINDA NÃO É O SUFICIENTE… MAIS MAIS MAIS!!!! Ou seja, o quão RUIM e MÁ eu sou comigo mesma?! Por que me cobrar tanto, querer tudo perfeito, ser a melhor, se superar a cada dia?

Foi aí que eu ouvi algo muito libertador: “Ivana, você pode ser apenas uma menina normal, fazendo trabalhos normais, com uma vida normal… e tá lindo assim! Você não precisa ser tudo isso a que você se impõe! E se você ouviu tudo isso, é que de certa forma você buscou, você quis que esse momento chegasse…” E ele chegou. Lavou a mim e minha alma, e me mostrou o quão monstro eu posso ser comigo mesma.

Percebi também que não posso me fazer de vítima, pôr a culpa nisso ou naquilo… é preciso aprender com cada passagem, sentir essa vergonha e dor profunda, deixa-las ficarem comigo o tempo que quiserem…. para finalmente conseguir levantar a cabeça!

É preciso assumir que passei da conta, é preciso se permitir sentir dor… E, quando estiver pronta/curada/cicatrizada, seguirei caminhando… meio lerda, meio lenta, meio atrapalhada, mas do meu jeito. E se minha evolução psicológica permitir, não me cobrar tanto e ver que ser normal, como sempre fui, será uma libertação.”