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Não se esforce demais

“Você lê, o tempo todo, por aí, que precisa dar o seu melhor, que precisa fazer sempre o melhor que pode, que tem que se virar do avesso para atingir seus objetivos com distinção e orgulho. Nossa culpa interior, aquela que não nos deixa dormir à noite, fica repetindo que você simplesmente podia ter se esforçado mais, que aquele trabalho podia ter ficado melhor, que isso e aquilo…

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Agora que a sua voz interior está quietinha enquanto você lê este post aqui, pense bem. Às vezes, quando você se esforça demais e tenta prever e resolver todos os problemas e dificuldades, acaba estressada. E, estando estressada, seu trabalho vai acabar ficando pior do que o normal, ao invés de melhor. Quanto mais concentrada você tenta ficar, mais acaba se desconcentrando.

Então, não se esforce demais. Não nade contra a corrente, não tente controlar o que não tem controle. Uma piadinha popular na internet afirma que o nosso cabelo está na cabeça justamente para nos provar que nós não temos controle sobre nada. A piada pode ser batida, mas é verdadeira. Ou vai dizer que o dia em que você tem um compromisso importante não é justamente o dia em que seu cabelo acorda mais rebelde e difícil de controlar?

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Por isso, não se esforce demais. Não além da conta. Faça o seu melhor, todos os dias. Mas aceite as coisas como elas são. Alguns problemas simplesmente se resolvem por conta própria, outros seriam muito mais simples se você não se preocupasse demais. Muitas vezes, a gente antecipa os problemas, por medo do fracasso ou do sofrimento ou do trabalho mais árduo. Só que antecipação é apenas uma forma mais rápida de estressar a si mesma.

É e sempre será impossível agradar a todos, fazer tudo perfeito e ter a mente em paz. Então não se esforce demais, não remoa as coisas aí dentro da sua cabeça, não force nada. Aceite as pequenas imperfeições, aprende com elas. Afinal, não há jeito melhor de crescer do que vivendo nossos próprios problemas com tranquilidade e sem frustração.”

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Por Daniele Sinhorelli
em Círculo

Entenda como sua alimentação pode favorecer a fadiga

Conteúdo original de Minha Vida
Por Dr. Roberto Navarro Sousa Nilo Nutrologia CRM 78392/SP

Uma das queixas mais frequentes que tenho escutado no consultório ultimamente é o cansaço, desânimo, indisposição, fadiga, ou como queiram falar.

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A questão é que muitas condições clínicas podem levar ao aparecimento destes desconfortáveis sintomas, cabendo ao médico neste primeiro degrau descartar as doenças mais graves que cursam com perda progressiva do vigor físico, perda de peso, falta de ar ao realizar um pequeno esforço, pois o tratamento deverá ser instituído o mais rápido possível para que haja a pronta recuperação do paciente. Estão neste grupo as doenças cardíacas, pulmonares, hormonais e o câncer.

Porém, muitas vezes, a fadiga se torna um companheiro quase diário e não há nenhuma doença específica já instalada que a justifique. Entra aí então um possível vilão silencioso: a má alimentação. Os desbalanços nutricionais podem ocorrer sempre que deixamos de lado a busca de uma alimentação balanceada, variada e suficiente em todos os nutrientes que nosso organismo necessita para funcionar e passamos a comer apenas os alimentos com baixo valor nutricional.

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Devemos ingerir quantidades adequadas de macronutrientes, como carboidratos, proteínas e lipídeos e de micronutrientes, como os minerais e as vitaminas. A oferta de todos estes nutrientes só está garantida quando nos alimentamos de todos os grupos alimentares, como os legumes e verduras, cereais, leguminosas, frutas, óleos e gorduras (as boas), carnes e ovos, leite e derivados.

Aliás, os alimentos foram divididos em grupos justamente por que cada um deles é rico em determinados nutrientes importantes para nossa saúde e se ingerirmos porções adequadas de todos eles no dia a dia provavelmente estamos suprindo nosso organismo em suas necessidades.

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Respeitando as alergias e intolerâncias alimentares, que nos obriga a excluir determinados alimentos do prato, não há justificativa para excluirmos grupos alimentares específicos, principalmente por modismos ou crendices sem fundamento. Não à toa a raça humana é classificada como “onívora”, ou seja, está adaptada a ingerir alimentos tanto de origem animal quanto vegetal.

Por isso os vegetarianos estritos ficam vulneráveis à deficiência de vitamina B12, que deve ser suplementada neste grupo de pessoas, que aliás, quando deficientes nesta vitamina, também se queixarão de fadiga, cansaço, dificuldade de concentração. Contudo, uma pessoa que só se alimenta de produtos animais e não ingere os vegetais, terá também problemas de saúde por isso. O que vale é o equilíbrio.

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Mas quais os nutrientes específicos, quando pobres na nossa alimentação, geram mais frequentemente o cansaço e a perda de vigor? Sem dúvida o mais frequente é a carência de ferro. Nossos glóbulos vermelhos (hemácias) carregam o oxigênio que respiramos até cada célula do nosso corpo, e o ferro é fundamental neste processo. O oxigênio gera a energia suficiente para que cada célula funcione adequadamente e quando este não consegue suprir todas elas, está instalada a anemia, que certamente causará sintomas como cansaço, desânimo, perda de vigor, dores de cabeça, dores nas pernas, unhas frágeis, queda de cabelo e baixa imunidade, com infecções frequentes.

A anemia ferropriva (por deficiência de ferro) é hoje considerada a carência nutricional mais prevalente no mundo, inclusive no Brasil, e os grupos que correm mais risco em tê-la são as crianças, gestantes, idosos e mulheres com perda sanguínea exagerada na menstruação. O alimento mais rico em ferro de origem animal sem dúvida é a carne vermelha, mas os peixes, aves, ovos e leite (e seus derivados), também são boas fontes.

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Já as boas fontes de ferro de origem vegetal são as verduras verde-escuras como agrião, rúcula, espinafre, couve e os legumes como o brócolis. Também são boas fontes vegetais de ferro as leguminosas como feijão, ervilha, grão-de-bico, soja, lentilhas e o melaço da cana.

Outra carência nutricional que também gera cansaço, fadiga, dificuldade de concentração, formigamento nas mãos e pés e também desencadeia anemia (megaloblástica) é a deficiência de vitamina B12. Esta importante vitamina cujo nome técnico é cianocobalamina, possui em sua estrutura o cobalto, um elemento químico (metal de transição) que dá estabilidade à hemoglobina, proteína que está dentro dos glóbulos vermelhos e que é responsável pelo transporte do oxigênio até as células.

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As principais fontes de vitamina B12 são as mesmas dos alimentos que contêm ferro, de origem animal, citadas acima. A vitamina B12 encontrada em fontes vegetais como o trigo germinado e levedo de cerveja parece não trazer a mesma estabilidade à hemoglobina. Os grupos mais vulneráveis à deficiência de vitamina B12 são os alcoólatras, vegetarianos estritos, uso contínuo de medicamentos que diminuem a acidez estomacal, como os antiácidos e o grupo dos bloqueadores da bomba de prótons ( omeprazol e similares ).

As baixas taxas de vitamina D no sangue, o que vêm se mostrando mais frequente na população como se imaginava, também pode ser uma causa de fadiga frequente. Sabe-se atualmente que a vitamina D cumpre muitas funções no organismo muito além de atuar na absorção do cálcio e na saúde óssea, mas não se sabe exatamente qual mecanismo envolvido que desencadeia a sensação de cansaço quando em baixos níveis no sangue, talvez por também ser matéria prima para a produção interna dos hormônios esteróides como a testosterona, progesterona e estrogênio. Se os níveis sanguíneos então da vitamina D ficam baixos, poderá haver menor produção de hormônios esteróides, o que poderá levar a sensação de desânimo e perda de vigor.

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Por mais que ingerimos alimentos fontes de vitamina D, dependemos também de um mínimo de exposição à luz solar para transformá-la em sua forma ativa (colecalciferol), sendo recomendado pelo menos 20 minutos duas a três vezes por semana, pelo menos 20 a 30% do total do corpo exposto, por exemplo só as pernas ou só os braços. Boas fontes animais de vitamina D são os ovos, salmão, atum, sardinha, iogurte, fígado bovino e fontes vegetais incluem os cogumelos comestíveis. Ficam vulneráveis à deficiência de vitamina D quem raramente se expõe ao sol e não ingere adequadamente os alimentos fontes. Em alguns casos a suplementação desta vitamina se torna fundamental.

As dietas muito restritivas em valor calórico, como as abaixo de 1.000 calorias, geralmente não suprem a quantidade mínima de vitaminas do complexo B (B1,B2,B3,B5,B6) que têm funções importantes na produção de energia dentro de todas as nossas células. É frequente pessoas que querem perder peso e optam por dietas da moda com grande restrição calórica queixarem de fadiga, queda de cabelo, desânimo e que logo abandonam o método por perda de qualidade de vida.

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Do exposto acima fica claro que ainda uma alimentação equilibrada é o melhor caminho para termos qualidade de vida e longevidade com saúde. Continuo insistindo que a melhor dieta é a do bom senso e que saúde não se compra, se conquista. Abraço à todos!

A saída da insatisfação

Texto de Karina Miotto
Publicado na Revista Bons Fluídos
“Se “a necessidade é a mãe da invenção”, como disse Platão, no mundo das emoções podemos traçar um paralelo e dizer que “a insatisfação é a mãe da motivação”. E nem precisa ser uma baita insatisfação para dar vontade de se mexer e mudar as coisas. “Somos seres desejantes. Estamos o tempo todo querendo algo”, diz o psicanalista Oswaldo Ferreira Leite Netto, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
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O profissional vai até mais além afirmando que a semente do descontentamento nasce conosco. E continua até o último suspiro de vida. O choro de um bebê, por exemplo, traduz um desconforto. Com o tempo, vamos só mudando a forma de dizer que assim não está bom. Ou seja, faz parte da natureza humana querer mais.
“A insatisfação é o motor de todas as buscas, a força que conduz à autonomia”, diz o psicanalista, que também dirige o Serviço de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Saber identificar o tipo de desagrado, contudo, é um passo fundamental nesse processo. É que existem, segundo o psicólogo Irineu Deliberalli, dois modelos de insatisfação: a do ego e a da alma.
A primeira está ligada ao universo da “criança interior”, relacionado aos primeiros 7 anos de vida, em que as experiências permanecem no subconsciente, com influência na vida adulta. É aquele lado “reclamão”, que espera que as coisas aconteçam de determinado jeito, sem se importar com as inúmeras variantes externas – start perfeito para a ansiedade, a raiva, o pessimismo e o desejo de controle.
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Na onda dessas emoções negativas, o risco é agir por impulso e causar estragos. Ou entrar no papel de vítima das circunstâncias. Um estrago. Ou entrar no papel de vítima das circunstâncias. Um exemplo simples: alguém que precisa pegar uma conexão aérea e não consegue porque o primeiro avião atrasou. Dependendo da maneira como se lida com o imprevisto, a situação pode seguir tranquila ou tensa.
A história é outra quando a raiz da decepção está na alma. “Nesse caso, o clamor vem do coração”, diz Deliberalli. Por maior que seja o incômodo, o desejo de encontrar respostas cria uma abertura para que o novo se manifeste e potencializa as chances de uma solução, mesmo que demore. Com isso, trabalhamos a paciência, da auto-observação e até da criatividade, ao questionar o que podemos fazer para que o desgosto momentâneo seja visto como um desafio instigante. Em matéria de satisfação abaixo da média, portanto, o problema é um só: como escapar da frustração que paralisa e pegar o impulso da motivação?

Se tá chato, agite

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É caso de trocar o refrão “I can’t get no satisfaction”, dos Rolling Stones, por um mantra mais positivo, como o da canção Do It, de Lenine: “Tá doendo, chora/ Tá caindo, escora/ Não tá bom, melhora”. O que poderia ser o hino do desencanto acaba servindo de incentivo, ainda mais no terceiro verso: “Se tá chato, agite” e, finalmente, na mesma música: “Não se submeta”.
Esse é o lado bom de um sentimento que poderia entorpecer, mas, bem canalizado, faz com que se saia da enganosa zona de conforto rumo ao terreno do desconforto – cheio de potencialidades. “Quando conseguimos encarar a insatisfação de frente, vemos que, na verdade, ela é um excelente alerta”, diz o educador ambiental Nicolas Gomez, por experiência própria.
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Nicolas, não faz muito tempo, vivia no piloto automático. O casamento de cinco anos dava óbvios sinais de desgaste, com brigas frequentes. No trabalho, o dia a dia também não empolgava. Mas, como podia-se dizer que estava tudo bem, afinal, o cotidiano seguia na medida do que é conhecido, Nicolas ia levando. Até que um dia não conseguiu mais mentir para si mesmo.
Quebrar com o que estava estabelecido exigiu coragem para deixar o orgulho de lado e assumir que a vida merecia revisão. Nesse momento de lucidez, é natural se sentir inseguro. Mas esse mesmo sentimento pode ser o ponto da virada. “Vulnerabilidade é o berço da inovação, da criatividade e da mudança”, diz Brené Brown, professora da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, e pesquisadora dos temas vulnerabilidade, coragem, autenticidade e vergonha.
Na dúvida sobre qual direção seguir, Nicolas teve uma atitude positiva: começou a meditar e abandonou temporariamente o cenário de sempre, embarcando em uma viagem voltada para a natureza e o autoconhecimento. Nessa pausa, veio a certeza do que já sabia internamente: nem o casamento nem o emprego combinavam mais com ele. Decidir mudar tudo de uma vez, não foi fácil, mas trouxe um aprendizado. “Hoje, quando sinto qualquer tipo de insatisfação, me afasto da rotina e mergulho no silêncio”, diz.

Perguntas pertinentes

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Para quem ainda está com a cabeça formigando, cheia de dúvidas, uma dica é se fazer perguntas como: “O que, em mim, atraiu essa sensação de desagrado?”, “O que realmente faz sentido?”, “Quais forças devo acionar internamente para mudar a minha realidade?”. Muitas vezes, há um evento que divide a vida em antes e depois.
Lembra da escritora Elisabeth Gilbert? A história da sua imensa infelicidade com o casamento e o trabalho, que a levou à depressão, deu origem ao best-seller Comer, Rezar, Amar (ed. Objetiva). Sua jornada com final feliz vendeu mais de 10 milhões de cópias pelo mundo. Ela ficou famosa, rica, casou de novo. Mas, logo em seguida, enfrentou uma nova avalanche de questionamentos.
As pessoas começaram a perguntar se ela não tinha medo de nunca mais fazer sucesso. E agora, como lidaria com as expectativas sobre o próximo livro? E se fosse um fracasso? Seria capaz de escrever algo tão bom outra vez? Diante da miríade de julgamentos e pressões, a autora diz que encontrou um porto seguro para onde volta todas as vezes que precisa calibrar o medidor da satisfação. Como sempre amou escrever, decidiu que continuaria dando seu melhor, mesmo que o melhor para ela fosse diferente da opinião das outras pessoas. “O que digo a mim mesma quando fi co realmente enlouquecida com isso é: não tenha medo. Apenas faça o seu trabalho”.
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Para Debora Noal, psicóloga da organização internacional Médicos Sem Fronteiras, a tranquilidade diante de uma nova escolha vem de uma coerência interna. “Quando decidi partir para a primeira de muitas missões humanitárias que faria, senti como se o Réveillon de Copacabana estivesse dentro de mim. Era uma satisfação plena!”, conta.
Elisabeth, Debora e também Nicolas (o educador ambiental) encontraram o caminho. Mas e quando a escolha não é tão clara? Vivemos em uma época em que as opções soam infinitas, como explica o psicólogo Barry Schwartz, no livro O Paradoxo da Escolha – Por que Mais é Menos (A Girafa Editora).
Como diante de um menu de restaurante de mil páginas, imaginando se a escolha do prato principal será a ideal – diante de tantos que parecem tão bons quanto aquele. Se não conseguimos dar um passo adiante na direção da escolha, a refeição pode virar angústia. Com a mudança, o processo é parecido. Se ficamos travados, mesmo sentindo que é necessário um movimento, provavelmente é porque, pouco à frente, temos vislumbres de julgamentos, fracassos, ou até mesmo de precisar vivenciar situações ainda piores. “A vida espera por você, de braços abertos, em toda sua beleza”, estimula Jamie Sams, em As Cartas do Caminho Sagrado (Rocco Editora). Confiar no poder do Universo é uma chave preciosa para sair da estagnação.

Menos culpa, mais coragem

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“Invariavelmente, ou a insatisfação paralisa ou impulsiona você”, afirma Rodrigo Fernandez, master coach e consultor de desenvolvimento humano. Quando não conseguimos sair do lugar – o que, nos casos mais graves, pode resultar em longos períodos de contrariedade e sofrimento – vale se questionar sobre o medo das consequências.
“Há momentos em que não nos sentimos prontos para avançar e o bom é refletir sobre isso com coragem, longe da culpa, pois essa sensação pode causar mais estagnação ainda e um quê de vitimização. Sem esquecer, aliás, que vitimizar-se pode ser uma estratégia para atrair amor e atenção”, pontua o psicoterapeuta junguiano Michel Zaharic.
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Neste capítulo, entra em cena o famoso medo do que os outros vão pensar. “Na escola, por exemplo, preparamos as crianças para o mercado de trabalho, não para serem bem-sucedidas emocionalmente. Crescemos perdidos em nossas emoções”, diz Zaharic. Faria diferença aprender que mudar é morrer para o velho e nascer para o novo. No entanto, o psicoterapeuta lembra que não somos treinados para lidar com a morte, nem simbolicamente. “Ela é fim de um ciclo e renascimento.”
Quando uma etapa termina, outra começa. Sempre. Vale a pena acreditar que a mudança trará novas alegrias e aprendizados. Para ajudar a sair do lugar, o coach Rodrigo Fernandez sugere: “Dê as mãos a quem fortalece você na jornada, busque alternativas, saia da inércia”. E lança o desafio: “Que tal, nas próximas 24 horas, tomar alguma atitude que combata sua insatisfação?” Faça um plano, pense em “como”, trace uma meta e parta para a ação.
Como disse Albert Einstein, “não há maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”. A frase lembra a fábula do clássico Quem mexeu no meu queijo? (ed. Record), de Spencer Johnson.
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Na história, dois ratinhos e dois duendes viviam em um labirinto à procura do queijo que os faria felizes. Depois de encontrá-lo, caíram na rotina. Já sabiam o caminho e o queijo estava ali, esperando por eles, diariamente. Tudo bem cômodo, até que um belo dia o queijinho sumiu. Na metáfora, o queijo representa os desejos humanos comuns, como ter um bom trabalho, boa saúde ou estar em um relacionamento amoroso.
A reação de cada personagem diante do inesperado, então, vai revelando lições. Os ratinhos, atentos, rapidamente encontram outro estoque do alimento. Já os duendes perdem tempo pensando que tudo vai voltar a ser como antes. Passam a se sentir frustrados, irritados e com menos energia, até que um dos duendes percebe a paralisia imposta pelo medo e começa a rir de si mesmo. “A vida segue em frente e nós também deveríamos fazer o mesmo”, ele conclui. A partir dessa decisão, eles passam a sentir um enorme senso de aventura e liberdade, embora não sem momentos de desânimo e de algumas dificuldades.

Satisfação e propósito

Valorizar cada experiência acaba por gerar um sentimento de gratidão que ajuda a ter mais calma e positividade para lidar com as adversidades futuras. Basta olhar para o lado e para nossa própria história para perceber a importância das conquistas diárias rumo à mudança que queremos. É um passo de cada vez. Um olhar com mais carinho para si mesmo, a mente que vai se tornando mais assertiva, um perdão aqui e acolá, uma decisão corajosa ou uma sabedoria que não se tinha antes, e o poder pessoal vai sendo resgatado e, com ele, a vontade de expandir horizontes.
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“Ostra feliz não faz pérola”, é a máxima do livro homônimo (ed. Planeta) de Rubem Alves, em que ele diz algo essencial sobre a importância da insatisfação: “Pessoas felizes não sentem necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída. Por vezes, a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade”.
É essa coceirinha que nos leva, de tempos em tempos, a repensar a própria trajetória, pegar de volta a bússola nas mãos, pedir demissão do trabalho, se separar, retomar uma atividade que dava prazer ou abandonar um velho vício. Insatisfação faz parte. E tem a capacidade de fazer cada um se reinventar.
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Quando isso acontece, o labirinto de impasses é desfeito, nem que seja por uma nova temporada, e se pode desfrutar da plenitude que o mestre espiritual indiano Osho descreve: “Você está obedecendo ao seu coração, você não está obedecendo a ninguém. Não está sendo forçado a obedecer. O seu amor é resultado da sua liberdade, sua confiança é resultado da sua dignidade – e ambos vão fazer de você um humano mais pleno”, ensina o mestre, satisfeito da vida.”