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Pesquisadores desenvolvem medicina de precisão para evitar diabetes

Como impedir que mais pessoas juntem-se às estatísticas de diagnosticados com diabetes? E se fosse possível saber com precisão quem sofre o maior risco de desenvolver a doença e descobrir quais medidas preventivas são mais efetivas no tratamento de cada um individualmente? Seria ótimo, não? Pois essa possibilidade pode se tornar real.

Pesquisadores americanos acabaram de lançar uma abordagem de “medicina precisa” para a prevenção de diabetes que pode fazer exatamente isso, utilizando apenas informações existentes, como os níveis de açúcar no sangue e as medidas de cintura e quadril, sem a necessidade de testes genéticos.

Os autores (uma equipe formada por membros da Universidade de Michigan, Ann Arbor VA Healthcare System e Tufts Medical Center) desse modelo recém-publicado no British Medical Journalby pretendem transformá-lo em uma ferramenta para os médicos que tratam pacientes com “pré-diabetes”. Assim como esperam que essa abordagem possa ser utilizada para desenvolver modelos semelhantes de previsão precisas para outras doenças e tratamentos.

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“Ter pré-diabetes não é tudo”, diz o principal autor Jeremy Sussman, médico, cientista do Centro de Pesquisas VA Gestão Clínica e professor assistente de medicina geral na Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan. “Isso mostra realmente que dentro do reino da pré-diabetes há muita variação e que é preciso ir além dos fatores de risco individuais e olhar de forma holística à quem são as pessoas em que uma determinada abordagem funciona melhor.”

A equipe desenvolveu o modelo usando dados de um ensaio clínico padrão de prevenção a diabetes, – o Programa de Prevenção a Diabetes, que distribuiu aleatoriamente aos voluntários: placebo, a droga metformina e um programa de modificação de estilo de vida.

Foram analisados os dados de mais de 3.000 pessoas, as quais tinham um índice de massa corporal elevado e resultados anormais em testes de açúcar no sangue. A maioria também tinha um histórico familiar de diabetes, e mais de um terço dos participantes tinham origem afro-americana ou latina – ambas associadas ao maior risco de diabetes. Ao todo, foram observados 17 fatores que, juntos, preveem o risco de uma pessoa ter diabetes – assim como sua possibilidade de beneficiamento com medidas de prevenção à doença.

Resultados

Em três meses de análise, menos de 10% dos participantes indicou um possível desenvolvimento de diabetes nos próximos três anos, enquanto quase metade dos que apresentaram maior propensão poderia desenvolver diabetes nesse tempo. Em seguida, foi analisado o impacto das duas abordagens de prevenção.

“Embora o benefício médio de um ensaio clínico possa ser moderado, na realidade, é comum que pacientes com alto risco de um resultado ruim apresentem uma série de benefícios, enquanto o paciente de médio risco tem pouca possibilidade de se beneficiar e pacientes de baixo risco podem ter pouca ou nenhuma chance de benefício ou estão sendo prejudicados “, observa o co-autor Rod Hayward, doutor e professor de medicina e saúde pública na MSU.

Neste caso, uma análise mais rigorosa verificou que três quartos dos pacientes tomou uma droga com efeitos colaterais incomuns (metformina), sem receber qualquer benefício. E confirmou que o médio benefício encontrado é muito subestimado para os que sofrem risco altamente elevado de desenvolver diabetes nos próximos três a cinco anos.

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“Nossa pesquisa também constatou que para um quarto dos participantes que o modelo apontou ter maior risco de diabetes, a intervenção no estilo de vida reduziu em 28% a chance de desenvolvimento da doença. Para aqueles com baixo risco, esta mesma mudança intensiva também derrubou o índice, mas em apenas 5%”, disse Hayward. “Exercício e perda de peso tem muitos outros benefícios além de diminuir o risco de diabetes – incluindo a redução do risco cardiovascular, a melhoria do humor e a mobilidade.”

Os pesquisadores esperam que seu trabalho sirva como uma prova de princípio para que outros possam estudar demais estratégias de prevenção de doenças. Pois sua iniciativa demonstra o poder da abordagem, tecnicamente chamada de predição de risco multivariada, para compreender a heterogeneidade do efeito do tratamento.

“Acreditamos que essa abordagem deve ser amplamente aplicável, uma vez que um dos principais determinantes da probabilidade de se beneficiar de uma terapia de qualquer paciente é o seu risco de ter o resultado ruim que estamos tentando evitar”, diz o co-autor David M. Kent, MD, M.Sc., professor da Universidade de Tufts e diretor dos Predictive Analytics e Comparada Centro de Eficácia no Centro Médico Tufts.

Fonte: O texto acima é baseado em materiais fornecidos pela MSU, University of Michigan Health System.

Referência: Rodney A Hayward et al. Improving diabetes prevention with benefit based tailored treatment: risk based reanalysis of Diabetes Prevention Program. BMJ Online, February 2015.

Estudo da MSU: Grávidas que praticam exercícios podem evitar futura hipertensão na criança

“Já está bem estabelecido, entre médicos e pesquisadores, que os bebês que nascem com baixo peso sofrem maior risco de desenvolver hipertensão ao longo da vida.”

No entanto, um estudo pioneiro da Universidade de Michigan (MSU) sugere que os hábitos de exercício das mamães durante a gestação podem reverter esse quadro e, possivelmente, reduzir as chances da criança sofrer de pressão arterial elevada, mesmo aquelas que nascem com baixo peso.

O controle da hipertensão é um fator-chave para a saúde cardiovascular. E a pesquisa é um pontapé para compreender as características da propensão genética da saúde da criança ainda no útero.

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“Observamos uma gama de bebês com peso normal e outros caindo no extremo inferior da escala, e, surpreendentemente, verificamos que nos casos de menor peso, a maior relação com a pressão arterial não foi registrada nas crianças em que as mães eram fisicamente ativas”, disse James Pivarnik, autor e professor de cinesiologia na MSU. “A conexão foi interrompida, o que indica que o exercício pode, de alguma forma, alterar o risco cardiovascular que ocorre no útero.”

Este fenômeno está ligado ao que é conhecido como a hipótese de origem fetal. A teoria sugere que se algo extenuante acontece com a mãe e seu filho durante os períodos delicados de crescimento na gravidez, alterações permanentes que afetam a saúde do bebê podem ocorrer.

Pivarnik e sua equipe avaliaram, inicialmente, 51 mulheres ao longo de um período de cinco anos, baseando-se na atividade física, como correr ou caminhar ao longo da gravidez e pós-gravidez. Em um seguimento do estudo, eles descobriram que o exercício regular em um subconjunto dessas mulheres, especialmente durante o terceiro trimestre, foi associado com menor pressão arterial em seus filhos.

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“Isso nos disse que o exercício durante os períodos críticos de desenvolvimento pode ter mais de um efeito direto sobre o bebê”, disse ele.

A descoberta foi evidente quando sua equipe de pesquisa também descobriu que as crianças cujas mães praticavam exercícios nos níveis recomendados ou mais altos exibiram índices significativamente mais baixos de pressão arterial sistólica entre os 8 e 10 anos de idade.

“É uma coisa boa, uma vez que sugere que os hábitos de exercícios regulares da mãe são bons para a saúde do coração mais tarde na vida de uma criança”, disse Pivarnik.


Fonte: O texto acima foi baseado em materiais fornecidos pela Universidade do Estado de Michigan. Referência: Michigan State University. “Mom’s exercise habits good for blood pressure in kids.” ScienceDaily. ScienceDaily, 5 January 2015.