Tag: predisposição

Rinite: conheça os tipos e saiba como tratá-los

Artigo da Dra. Rosane Bleivas Bergwerk, alergologista e imunologista, para Minha Vida.

A rinite vasomotora pode ser definida por um estado de hiperreatividade (reatividade aumentada) a estímulos não específicos, como mudança de temperatura ambiente e umidade, odores fortes – como perfumes, cloro e solventes – ou irritantes, como fumaça de cigarro. Esses fatores funcionam como um gatilho para desestabilizar o sistema nervoso autônomo levando a uma hiperreatividade da mucosa nasal.

eye-122707_640

Atualmente a rinite vasomotora é conhecida como rinite idiopática. Descobriu-se posteriormente que o componente vasomotor não era o único mecanismo fisiopatológico deste tipo de rinite. Além do mais, esse componente não está presente unicamente neste tipo de rinite, mas em todos em maior ou menor grau. Ela é classificada como idiopática por não se conhecer a sua causa e os fatores desencadeantes serem inespecíficos. Geralmente acomete adultos entre os 40 e os 60 anos.

A rinite alérgica é definida como inflamação da mucosa nasal com sintomas de obstrução nasal (entupimento nasal), espirros, prurido nasal (coceira no nariz) e/ou rinorreia aquosa (coriza). É uma doença de natureza genética mediada por um anticorpo denominado IgE e os sintomas acontecem após exposição a diversos alérgenos, como ácaros da poeira, fungos, baratas, pólens e epitélios de gatos e cães.

0008650743Z-565x849

rinite alérgica pode ser desencadeada ou agravada também pela exposição à mudanças bruscas de clima, inalação de irritantes específicos (odores fortes, gás de cozinha, fumaça de cigarro, ar frio e seco) em indivíduos predispostos. Nos casos de rinite alérgica, há uma história familiar positiva para alergia e os testes alérgicos são positivos, com dosagens de IgE total que podem ser aumentadas e IgE específica positiva.

Na rinite idiopática, tanto a história familiar para alergia como os testes alérgicos são negativos, com IgE total normal e IgE específica negativa. Os fatores desencadeantes são os já citados.

0009678467Q-849x565

Na rinite alérgica o paciente pode apresentar qualquer um desses sintomas: obstrução nasal, coriza, espirros e/ou prurido nasal. Na rinite idiopática há obstrução nasal, que é o fator mais importante, gotejamento nasal posterior e rinorreia (coriza) abundante. Geralmente espirros e prurido nasal não estão presentes.

O tratamento da rinite idiopática consiste na aplicação de corticosteroide tópico nasal por determinado período com acompanhamento do especialista alergista ou otorrinolaringologista. O objetivo é de melhorar a obstrução nasal e secundariamente a rinorreia e o gotejamento nasal posterior. Pode-se utilizar em sintomas agudos anti-histamínico oral com descongestionante. Em casos mais graves de obstrução nasal um período curto de corticosteroide oral pode ser necessário.

0007754025B-565x849

No tratamento da rinite alérgica pode-se utilizar corticoesteroides nasais tópicos, anti-histamínicos orais e imunoterapia específica injetável ou sublingual, além de orientação de higiene ambiental.

A doença não tem cura, mas é possível obter o controle com medicamentos tópicos preventivos e tentar evitar, dentro do possível, os fatores desencadeantes.

Natureza versus criação: Qual é mais importante?

Quando se trata de saúde mental, o debate da natureza versus a criação se mantém com força. Com a melhora da tecnologia, as imagens do fMRI (imagem funcional de ressonância magnética) e da sequenciação do genoma demonstram que as doenças mentais são mais influenciadas pela biologia do que nunca antes se acreditou.

Mas, a influência da experiência de vida é indiscutível. Enquanto a tendência histórica para culpar as mães pela doença mental de uma criança crescida (ela era muito fria, muito sufocante, etc) tem sido, felizmente, reduzida em grande parte, não há como negar que as experiências da infância desempenham um papel na saúde mental de adultos. Mas o que é mais importante: a natureza ou a criação?

Natureza versus Criação

twins-775506_640

Num estudo deste ano, a prestigiosa revista Nature Genetics se comprometeu a sublime tarefa de reanalisar praticamente todos os estudos em gêmeos realizados nos últimos 50 anos: 2.748 estudos, para sermos exatos, que inclui mais de 29 milhões de gêmeos.

E, por que estudos individuais? Gêmeos monozigóticos (isto é, idênticos) têm a mesma composição genética, tal como se desenvolveram a partir do mesmo ovo fertilizado. Assim, quaisquer diferenças entre os gêmeos são devidas, por extensão, ao meio ambiente.

baby-772441_640

Então, qual é a resposta no debate natureza-criação? Segundo os pesquisadores, é cerca de 50 a 50. Especificamente, cerca de 49% de variação entre indivíduos é devido à genética e 51% é devido ao meio ambiente.

Podemos chamar isso de um empate entre natureza e criação, mas, ao mesmo tempo, o estudo incluiu a herdabilidade de características de todo o espectro, desde a altura (que é principalmente genética) ao que os pesquisadores apelidaram de “valores sociais” (que são, na maior parte, do ambiente).

twins-757404_640

Mas o que a média de 50 a 50 nos diz? Em suma, as conclusões que podemos tirar são menores do que as perguntas que o estudo mostra. Em geral, perguntar se a porcentagem de um determinado traço é genética ou ambiental é apenas uma maneira de olhar para o equilíbrio natureza-criação, e talvez o menos efetivo.

Outra visão é a de que a genética predispõe o indivíduo ao distúrbio, como a depressão ou transtorno obsessivo-compulsivo, e o ambiente sugere o equilíbrio. Numa analogia menos delicada, a genética carrega a arma e o ambiente puxa o gatilho.

apple-256261_640

Contudo uma outra maneira de olhar para a questão da natureza versus a criação é: a genética determina uma série de possíveis resultados e o meio ambiente determina o intervalo de terras individuais; por exemplo, em termos de QI, a genética determina a gama de possíveis capacidades intelectuais, e o ambiente a nutrição em anos de educação, o número de livros em casa, enfim, determina quão longe dentro desse intervalo o QI vai subir.

Em suma, a conclusão de 50 a 50 é mais complicada do que à primeira vista. Mas, olhe para esse número de outra maneira e verá que, de qualquer forma, os pais sempre serão culpados.

Referência

Polderman, TJC, et al.  (2015). Meta-analysis of the heritability of human traits based on fifty years of twin studies. Nature Genetics. doi:10.1038/ng.3285

Fonte Quick and Dirty Tips
Tradução livre de autoria do blog.