Nefrologista do HCor fala sobre a relação entre obesidade e doenças renais

Conteúdo original Revista Suplementação

Estudos epidemiológicos têm demonstrado o aumento da prevalência da obesidade, doença considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como epidemia global do século XXI. No Brasil, mais de 50% da população está acima do peso. Estima-se que, até 2025, 18% dos homens e 21% das mulheres de todo o mundo serão obesos. Números como estes reforçam a maior causa de morte no País: as doenças crônicas não transmissíveis, responsáveis por 70% dos óbitos.

Diversos estudos e revisões da literatura médica mostram que a obesidade é importante fator de risco para diversas doenças graves. Problemas cardíacos, diabetes, hipertensão, colesterol elevado, apneia obstrutiva do sono, doenças da vesícula, cânceres e, não menos importante, porém pouco difundida, está a doença renal crônica (DRC).

Afinal, qual a relação entre a obesidade e a doença renal? “A função dos rins é filtrar o sangue de toxinas e líquidos em excesso. Em uma pessoa obesa, o aumento do tecido gorduroso comprime os rins e altera a sua estrutura, aumentando o seu trabalho de filtração e ativando sistemas que podem causar hipertensão arterial. Essa doença, denominada glomerulopatia da obesidade, pode determinar perda de proteína na urina e causar prejuízo significativo da função renal”, explica a nefrologista Leda Lotaif, chefe de diálise do HCor – Hospital do Coração de São Paulo.

Um em cada 10 adultos, segundo Dra. Leda, sofre de doença renal crônica. A maioria deles não sabe ser portador da doença. Isso ocorre porque, na maioria dos casos, quando descoberta, a DRC já está em estágio avançado, pois não há sintomas. A melhor forma de prevenir é investir na educação desde a infância. “Conscientizar as pessoas quanto aos fatores de risco da doença renal e a importância de ter hábitos saudáveis, como manter uma dieta balanceada e praticar atividade física regularmente é crucial para combater o aumento da incidência da doença”, orienta.

Regras de ouro

Para prevenir a Doença Renal Crônica (DRC), vale seguir estas dicas da nefrologista do HCor:

  • Pratique atividade física regularmente;
  • Mantenha uma alimentação saudável;
  • Mantenha-se hidratado;
  • Controle o nível de açúcar no sangue;
  • Monitore a pressão arterial;
  • Visite um médico regularmente;
  • Abandone o cigarro e o álcool em excesso;
  • Evite a automedicação.

Fonte: HCor

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Controlando o sal com temperos

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A gente sabe que o consumo excessivo de sal, assim como tudo em proporções exageradas, faz mal à saúde. E também sabe que comer comida insossa é ruim demais, coisa de hospital e gente doente. Mas você sabia que é possível diminuir o uso do sal sem perder o sabor, com um toque muito simples? Estamos falando do sal temperado ou aromatizado (que você vai aprender a preparar).

Nós, brasileiros, já extrapolamos naturalmente do sal. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nosso consumo diário é de 12 gramas, enquanto a recomendação pela Organização Mundial de Saúde é de até cinco gramas por pessoa. Ou seja, consumimos mais do que o dobro do que deveríamos.

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O sal tem, sim, papel fundamental no funcionamento do corpo e não deve ser eliminado da alimentação. Sua função é controlar a quantidade de líquidos dentro e fora das células, sendo responsável por sugar água do corpo, mantendo-o em equilíbrio. Por isso que quando é ingerido em grande quantidade, o sal nos leva ao inchaço pela retenção de líquidos.

Em excesso, ele também eleva a pressão arterial, pois o corpo entende que para manter o equilíbrio e suprir a falta de água [retida pelo sal] deve aumentar a circulação do fluxo sanguíneo. O aumento da pressão, por sua vez, sobrecarrega a função dos rins, que precisam filtrar o sangue mais rápido, e do coração, que passa a bombear em maior velocidade.

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Não à toa que o alto consumo de sal é um grande fator de risco para o desencadeamento da pressão alta ou hipertensão, uma forte agente causadora de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC), que juntos contabilizam 30% da mortalidade anual dos brasileiros, segundo a literatura médica.

Entendeu agora porque você deve tomar cuidado com o sal? Nem de mais, nem de menos, na medida! E para te ajudar a manter a linha, e quem sabe até reduzir um pouco desse abuso brasileiro, vamos te ensinar a preparar o sal temperado ou aromatizado.

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Essa é uma técnica que vem ganhando espaço, principalmente entre o pessoal da culinária funcional, que é mais preocupada com a saúde e o bom funcionamento do organismo. É uma forma que se encontrou de manter o sabor dos alimentos e ao mesmo tempo maneirar na quantidade de sal, que também é de outro tipo, mais saudável, o marinho.

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Fonte: Site do Dr. Dráuzio Varela – o link para acesso ao site está na foto, basta clicar sobre ela e será direcionado

Para qualquer uma dessas receitas também pode ser usado o sal light. Ambos os tipos, tanto o marinho, quanto o light, custam entre R$ 3 e R$ 5 o quilo. O sabor é injetado com qualquer tipo de tempero a seu gosto, mas a indicação é pelos desidratados, aqueles de saquinho que tem em todo supermercado – por uma questão de conservação, já que os frescos podem embolorar ou estragar por conta da umidade natural.

Vamos aprender? Essas são apenas sugestões de sabores e combinações, você pode misturar a seu jeito, como preferir. Os endereços virtuais de onde retiramos as receitas estão em link no nome de cada uma, ok? Para visitar, é só clicar.

Sal com Alho e Alecrim

  • 1 xícara de sal marinho (pode ser o fino ou o grosso)
  • 2 colheres de sopa de alho desidratado
  • ½ colher de sopa de alecrim

Indicação: Muito bom para temperar carnes vermelhas.

Coloque tudo no liquidificador e vá batendo a mistura utilizando a função pulsar. Faça isso até que esteja bem misturado. Coloque em um potinho com tampa e armazene em local fresco e seco.

Sal de Ervas

  • 1 xícara de sal marinho
  • ½ colher de sopa de alecrim
  • ½ colher de sopa de tomilho
  • ½ colher de sopa de endro
  • ½ colher de sopa de pimenta rosa
  • ½ colher de sopa de salsa

Indicação: Combina com tudo, mas dá sabor especial a aves e peixes.

Coloque todos os ingredientes no liquidificador e pulse várias vezes até que esteja bem misturado. Coloque em um recipiente com tampa e armazene em local fresco e seco.

Sal Misto Temperado

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  • 1 xícara de chá de sal marinho ou sal do himalaia
  • 1 xícara de chá de orégano ou hortelã desidratado
  • 1⁄2 xícara de chá de salsinha desidratada
  • 1⁄2 xícara de chá de manjericão desidratado
  • 3 colheres de chá de gergelim torrado
  • 1 colher de café de Zimbro (opcional)

Coloque as ervas junto com o sal no liquidificador ou no processador de alimentos até triturar tudo. Guarde a mistura em um recipiente fechado, em local fresco e seco.

Agora é só colocar a mão na massa e preparar seu próprio salzinho saudável e saboroso! Uma ótima tarefa para quem está à toa no feriadão.

Detox: realmente funciona ou é um mito?

Algumas semanas atrás, o jornal britânico The Guardian publicou um artigo intitulado: “Você não pode desintoxicar do corpo. É um mito. Então, como ficar saudável?” No artigo, o autor Dara Mohammadi disse: “… Desintoxicação – a ideia de que você pode lavar o seu sistema de impurezas e deixar seus órgãos limpíssimos é uma farsa. É um conceito pseudo-médico projetado para vender coisas.”

Será que é verdade? O processo detox, que vemos em sucos e dietas, é apenas uma farsa?

O que são toxinas?

É importante começar com uma compreensão do que são as toxinas. Não importa o quão clean e light você viva a sua vida, todos nós temos algum acúmulo de toxinas. Quando o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) realizou o Quarto Relatório Nacional sobre a exposição humana a substâncias químicas soltas no meio ambiente, foi encontrado um resultado bastante chocante.

Em média, o relatório do CDC detectou 212 produtos químicos no sangue ou na urina das pessoas, 75 das quais nunca haviam sido medidos na população dos EUA. Entre esses produtos estavam:

  • A acrilamida – formado quando os alimentos são assados ​​ou fritos em altas temperaturas e como um subproduto da fumaça de cigarro;
  • Arsenic – encontrada em muitos produtos de construção civil;
  • Fenóis ambientais – incluindo o bisfenol A (encontrado em plásticos, embalagens de alimentos e resinas epóxi) e triclosan (usado como um agente antibacteriano em produtos de cuidados pessoais, como creme dental e sabonete);
  • Perclorato – usado em combustível de avião, explosivos e fogos de artifício;
  • Produtos químicos perfluorados – usados ​​na produção de panelas antiaderentes;
  • Éteres difenil-polibromados – usados ​​em retardadores de combustão e encontrados em produtos de consumo, como colchões;
  • Compostos orgânicos voláteis (COV) – encontrado em tintas, purificadores de ar, produtos de limpeza, cosméticos, tapetes e tecidos de tapeçaria, roupas lavadas a seco, conservantes de madeira e decapantes.

Quando combinadas, estas substâncias podem potencialmente apresentar uma carga tóxica para o corpo humano e, como o CDC descobriu, pode acumular-se no sangue, urina e tecidos.

Mesmo o corpo possuindo órgãos de desintoxicação que podem processar muitos desses produtos químicos e toxinas (o fígado e os rins, por exemplo), a exposição a esses compostos podem causar problemas de saúde, caso seu organismo não esteja funcionando corretamente ou estejam sobrecarregados com uma dieta pobre.

Como fazer a Detox?

Enquanto os rins são um mecanismo de filtragem importante para a remoção de resíduos e excesso de água do corpo, é o fígado que possui a função crucial quando se trata de desintoxicação. Junto com a filtragem do sangue para eliminação de toxinas, o fígado utiliza um processo de duas fases para quebrar substâncias químicas e tóxicas.

Durante a fase 1, as toxinas são neutralizadas e quebradas em pequenos fragmentos. Em seguida, na fase 2, esses fragmentos são obrigados a mesclar-se a outras moléculas, criando novas moléculas não-tóxicas, que podem ser excretados na bile, urina ou fezes.

Mas para que essa desintoxicação do fígado funcione corretamente, seu corpo deve estar munido dos nutrientes adequados. Caso contrário, os processos de fase 1 e fase 2 podem não ser bem sucedidos, o que pode permitir a permanência de substâncias tóxicas que irão se estabelecer em seu corpo.

Os nutrientes adequados que suportam e auxiliam o detox são:

Fase 1

  • Vitaminas do complexo B (B2, B3, B6, B12 e ácido fólico)
  • Os flavonóides encontrados em frutas e legumes
  • Os alimentos ricos em vitaminas A, C e E (cenoura, laranja, gérmen de trigo, amêndoas)
  • A glutationa, encontrada no abacate, melancia, aspargos, nozes, frutas frescas e vegetais; também presente em nutrientes N-acetilcisteína, cisteína e metionina
  • Aminoácidos de Cadeia Ramificada (BCAA), encontrados em proteína animal, como laticínios, carne vermelha e ovos
  • Fosfolipídeos, encontrados em ovos, carnes magras, carnes orgânicas, peixes e soja

 Fase 2

  • Indol-3-carbinol, encontrado no repolho, brócolis, e couve de Bruxelas
  • Limoneno, encontrado em laranjas, tangerinas, sementes de cominho e sementes de endro
  • A glutationa, encontrada no abacate, melancia, aspargos, nozes, frutas frescas e vegetais
  • Óleo de peixe
  • Os aminoácidos provenientes de proteínas

Vários estudos têm demonstrado a eficácia desses nutrientes adequados para suportar as vias de desintoxicação do fígado.

Os produtos detox funcionam?

O primeiro argumento do artigo do The Guardian é baseado em uma citação de Edzard Ernst, professor de medicina complementar da Universidade de Exeter. Ele disse:

“… Existem dois tipos de desintoxicação: uma é respeitável e a outra não. Uma pode ser comparada ao tratamento médico de pessoas com dependência de drogas ou com risco de vida. A outra é a palavra invasiva de empresários, curandeiros e charlatões a fim de vender um tratamento falso que supostamente desintoxica o organismo das toxinas que você poderia ter acumulado.”

O artigo passa a explicar que quando se trata de produtos que variam de suplementos dietéticos a smoothies e xampus, não só os fabricantes podem definir o que eles entendem por desintoxicação, como o nome das toxinas desses produtos podem ser supostamente removidas.

No entanto, só porque um fabricante de spirulina em pó, por exemplo, não diz como ela funciona, não significa que não há evidência científica que comprove seu potencial para eliminar as toxinas do corpo.

Enquanto o artigo do The Guardian defende que não há valor algum em consumir produtos de desintoxicação ou suplemento de limpeza, estudos mostram que o cardo de leite, por exemplo, na verdade, protege e promove o crescimento de células do fígado, combate a oxidação (um processo de dano celular) e bloqueia a membrana celular para a entrada de toxinas.

Então, a partir desses exemplos, pode-se dizer que reivindicar contra os suplementos de desintoxicação e dietas, simplesmente afirmando que eles não funcionam é uma simplificação grosseira.

Pois, enquanto não há qualquer evidência para a eficácia de que a pimenta caiena, o limão e o xarope de bordo (ou xarope de ácer) realmente façam limpezas no organismo, há provas da capacidade de desintoxicação de outros nutrientes que realmente cumprem esse papel.