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Reaproveite as sobras do dia anterior; veja dicas de chefs

Conteúdo original Terra

 

Para muita gente, preparar um almoço ou um jantar é uma atividade bastante prazerosa. Mas, na maioria das vezes, a comida preparada sobra, fica na geladeira por alguns dias e, em seguida, vai parar no lixo.

Segundo um estudo realizado pela Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO), da ONU, mais de um bilhão de toneladas de comida vira lixo todos os anos no mundo todo. No Brasil, estima-se que cerca de 30% dos alimentos produzidos vai para o lixo e sem nenhum tipo de reaproveitamento.

Isso acontece porque as pessoas não sabem como reaproveitar a comida do dia anterior e preparar novos pratos, o que pode ser ainda mais prático do que começar do zero. Para isso, basta um pouquinho de criatividade e boa vontade.

Fernanda Pitta e Bruno Pasquali Bortolotti deram algumas dicas de como reaproveitar os ingredientes mais comuns entre os brasileiros. “Podemos reaproveitar praticamente tudo o que sobra em nossa geladeira, transformando o prato do dia anterior em uma receita diferente”, afirmou Pasquali. Segundo o chef, a melhor maneira de fazer isso é abrir a sua cabeça para novas experiências gastronômicas.

Veja algumas dicas a seguir.

Feijão

Segundo Fernanda, o feijão do dia anterior vira um delicioso tutu de feijão no dia seguinte. “É só bater no liquidificador e refogá-lo novamente com alho, cebola, bacon picadinho. Se quiser pode incluir paio, acrescentar farinha de mandioca torrada para engrossar e couve picada. Não esqueça o azeite extra-virgem no final”, detalhou.

Além disso, o feijão pode virar um caldinho para os dias mais frios. É simples: bata no liquidificador, leve ao fogo novamente e coloque bacon frito e cebolinha verde. Pasquali deu uma dica diferente. “Se coado, o grão pode ser usado como acompanhamento para a salada”, afirmou.

Arroz

Este ingrediente pode virar um bolinho e servir como acompanhamento do prato principal no dia seguinte. “Podemos adicionar um novo ingrediente à receita tradicional como o espinafre, abobrinha, brócolis ou talos de vegetais – que às vezes jogamos no lixo – algum queijo que já esteja com os dias contados ou até mesmo alguns embutidos”, explicou Pasquali.

Além disso, para sair do óbvio, é possível mudar a cara desse arroz, preparando uma receita de forno. “Dá para fazer com ingredientes que temos enlatados, como milho, ervilha ou seleta de legumes. Misture esses ingredientes ao arroz e uma lata de creme de leite”, explicou Fernanda. “Depois é só montar a travessa, intercalando com camadas de presunto e mozzarela, e levar ao forno para gratinar.”

Frango

Aquele suculento frango assado do domingo pode completar panquecas na segunda-feira. “Pode usar as sobras desfiadas e criar um refogado com alho, cebola, tomate, requeijão e cheiro verde e fazer um belo recheio ou uma torta de frango”, explicou Fernanda. Outra opção é fazer um fricassé: basta desfiá-lo e misturar com catchup, mostarda, champignon, molho inglês e creme de leite.

Pasquali deu uma dica diferente: “se você tem um peito com a carcaça, pode aproveitá-la para fazer um caldo de frango. Junte com água e alguns legumes e vegetais, cenoura, cebola, salsão, alho poró, que com certeza será muito mais saboroso e saudável do que o caldo industrializado que costumamos usar”, explicou.

Carne

Que tal um chilli para comer com tacos? Se for carne moída, você pode misturar com a sobra de feijão. “É só amassar bem o feijão, misturar com a carne e colocar uma lata de molho de tomate, um pouco de bacon picado e frito, duas pimentas dedo-de-moça picadinhas e coentro picado”, explicou Fernanda. Se for carne de churrasco, você pode enriquecer as sopas ou cozinhar com o feijão.

A gordura da carne que geralmente vai para o lixo também pode ser aproveitada. “Ela rende um nutritivo e saboroso caldo, reaproveitado da mesma maneira que o caldo de frango. Reaproveite a gordura interna da carne, não a que reveste a peça”, explicou o chef.

Salada

Segundo Pasquali, se a salada estiver bem armazenada e ainda não tivertemperos, tem um tempo de vida maior. “As folhas devem ser guardadas secas e sem sal, em um recipiente fechado hermeticamente.”

“A rúcula fica deliciosa como recheio de panquecas e lasanhas. É só montá-las usando mozzarela e tomate seco”, destacou Fernanda. “O agrião fica perfeito colocado no final de um creme de batatas e também em uma rabada.”

Talos

Além disso, os talos que normalmente as pessoas jogam fora ao preparar uma salada também podem ser utilizados. “Talos de salada podem ser batidos com frutas, para um suco mais nutritivo, assim como talos de brócolis, cenoura, beterraba”, acrescentou Pasquali.

“Os talos de espinafre, brócolis e beterraba são nutritivos para cozinhar no arroz ou mesmo picadinhos e refogados. Pode misturar nos ensopados e caldos”, contou a chef.

Macarrão

O macarrão que ficou na geladeira pode virar uma bela salada no dia seguinte. “Basta acrescentar cenoura em tiras, mozzarela de búfala, tomate seco e rúcula”, disse Fernanda.

Pasquali explica que o mais importante é não deixar o macarrão cozinhar muito quando estiver sendo preparado da primeira vez. “É preciso esperar esfriar completamente antes de guardá-lo em um recipiente na geladeira, evitando assim que ele fique muito mole para reaproveitá-lo”, disse.

Peixe

É possível usar as sobras de peixe, como por exemplo, o salmão, para fazer uma salada com o peixe em lascas, abobrinha grelhada, tomate-cereja e molho pesto.

O peixe também pode ser desfiado e virar bolinho. “Basta acrescentar um pouco de farinha, ovo para dar liga, tempero a gosto, fazer bolinhas e colocar para assar. Também pode empanar as bolinhas e fritar”, acrescentou o chef.

Frios

“Os frios que sobram podem ser usados na massa que também sobrou para fazer um macarrão à moda pizzaiolo.” Segundo Fernanda, é só picá-los, misturar ao macarrão com tomates picados e levar ao forno.

“Embutidos podem ser misturados no arroz ou em uma omelete mais caprichada”, acrescentou Pasquali.

Pão

O pão velho pode virar um pudim de pão ou uma farinha de rosca temperada com tomilho e alecrim. “Você só precisa torrá-lo”, acrescentou Fernanda.

O pão-de-fôrma pode virar croutons se picados em cubos e assados com azeite, orégano e sal. “Fica uma delícia para colocar sobre as saladas de folhas”, explicou Fernanda.

Pasquali deu a dica de deixá-los como os de couvert de restaurantes: “passe manteiga, alho, azeite e ervas finas.”

Tomate

Tomates que estão muito maduros não precisam virar molho de tomate. “Você pode cortá-los ao meio, retirar as sementes e colocar em uma assadeira. Depois, temperar com alecrim, tomilho, sal e azeite e assá-los”, detalhou Fernanda.

Fitoenergética: o poder de cura das plantas

Conteúdo original Mais Equilíbrio

O uso de plantas e ervas para tratar e curar doenças sempre foi comum entre muitos povos. Com a fitoenergética não é diferente: além das substâncias contidas nas plantas capazes de curar enfermidades, ervas e especiarias formam um sistema natural de cura, pois promovem equilíbrio e elevação de consciência por meio da energia das próprias plantas.

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Esse conceito surgiu a partir dos estudos de dois terapeutas holísticos, Patrícia Cândido e Bruno Gimenes, os quais se apoiaram em pesquisas sobre a bioeletrografia, que serve para analisar o padrão energético de um indivíduo após a utilização de compostos fitoenergéticos. Tal técnica realiza a fotografia do campo energético, e está sendo desenvolvida desde 1906, com base nos estudos do cientista Roberto Landell de Moura.

A fitoenergética compreende o uso da energia das plantas como forma de auxiliar no controle das emoções e pensamentos, fatores-chave para o desenvolvimento de doenças. “A fitoenergética é uma terapia que propicia a elevação da consciência e do discernimento, estimulando profundos sentimentos de altruísmo, capazes de gerar influência sobre a anatomia dos seres vivos, agindo nas causas geradoras das doenças”, salienta Bruno.

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Mas não basta apenas ingerir as ervas, é necessário compreender a importância de se colocar vontade e energia positiva nas intenções. “A energia vital e mental impregna-se nos vegetais com muita facilidade, por isso é importante levar em conta a força do pensamento positivo”, explica Patrícia.

No Brasil, o uso de plantas como forma de promover melhorias na saúde é algo cultural. Um estudo feito pela Universidade Federal do Amazonas aponta que 97,7% dos entrevistados fazem uso regular das plantas para fins medicinais. E dentre essas plantas, os terapeutas Patrícia e Bruno destacam três:

Cravo da Índia

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Quando usada em forma de infusão ou tempero, esta especiaria estimula a concentração e aumenta a capacidade de concentrar energia para materializar sonhos. O cravo também estimula o senso de observação e propicia clareza nos pensamentos.

Alecrim

Esta planta auxilia a liberar traumas, medos e outros fatores negativos adormecidos na alma. Segundo Patrícia, o alecrim trabalha o aumento da sabedoria para amar e viver.

Dente-de-leão

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Esta planta estimula as pessoas a aproveitarem as oportunidades que surgem na vida. O dente-de-leão propicia o aumento da autoestima e gera sentimentos de gratidão e humildade.

Vale destacar que existem várias formas de aplicar a fitoenergética. As ervas podem ser preparadas em forma de chá ou infusão, ou ainda, podem ser utilizadas em saladas, sucos e até mesmo colocadas em sachês posicionados dentro da fronha do travesseiro, de forma que o aroma seja exalado do sachê e sentido pelo indivíduo.

Para ler toda manhã, por Ricardo Coiro

Texto de Ricardo Coiro em CONTI Outra

Obs: preencha as lacunas abaixo com o seu nome e não tenha medo de falar sozinho.

 

______________, por favor, não deixe que a sua esperança no amor sincero seja nocauteada por aqueles que vivem a proclamar, aos berros, que o amor não passa de uma ilusão.

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Não permita, em hipótese alguma, que as mentiras recém-descobertas apaguem a sua fé na existência de gente sincera e disposta a lutar, com unhas e dentes, para que a verdade – a palavra sem máscaras e interesses egoístas – caminhe livre por aí.

Não autorize, nem sob a mira de um revólver, que a sua capacidade de crer no carinho gratuito seja fraturada pelos pontapés dos que têm o peito oco e assassinada pela leitura das barbáries que, infelizmente, batem ponto no jornal de cada dia.

E mesmo que todos ao seu redor se tornem seres desonestos e capazes de pisotear, sem culpa, a cabeça alheia, ______________, não se sinta menor por ser o único – ou um dos poucos – a começar pelo final da fila e a não enriquecer, corruptamente, do dia para a noite.

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Não se sinta covarde quando optar por engolir sapos, aprisionar xingamentos e, sabiamente, correr para bem longe de uma briga.

______________, na corrida de cada manhã, junto com o suor que expele dos seus poros, para o bem da sua saúde, expulse também os mais perigosos venenos que alguém pode conter: o desejo de vingança e a inveja dos que têm mais.

Pare, de uma vez por todas, de pagar na mesma moeda, pois agindo assim, muitas vezes, ao invés de uma atitude nobre, você acabará copiando uma atitude ruim. Se o seu amigo não procurar você, em vez de fazer o mesmo e contribuir para o esfriamento de uma amizade, seja o responsável pelo reencontro: ligue, convide e vá até ele. E daí que você fará o esforço maior? Lembre-se, sempre, o valor inestimável das amizades. Quando a sua namorada for grossa com você, diferente dos gritos que deu em ocasiões anteriores e de atitudes que só levaram a lugares ruins, experimente cuspir paciência, desferir gentileza e bombardeá-la com sorrisos que evaporam o ódio.

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Não se deixe enganar pelos comprimidos vendidos como se fossem verdadeiras passagens a paraísos. Quando, por ventura, mesmo sem um tostão no bolso, você precisar viajar: leia uma poesia do Leminski ou um conto do Cortázar.

Não tenha tanto medo da morte, mas, por favor, dê mais valor à vida e não confie tanto na suposta existência do dia de amanhã.

Uma vez por ano, se puder, por uma semana, esconda o relógio, a agenda e o celular. E diferente do que faz em sua rotina normal, dê voz de comando aos seus instintos: esqueça o horário de almoço e coma só quando estiver com fome; não se obrigue a dormir depois da novela e feche os olhos somente quando você estiver com sono; permita-se o luxo de fazer apenas aquilo que você sente vontade e de se negar a realizar qualquer tarefa que você comumente faz por dinheiro, carreira ou currículo.

____________, toda manhã, depois do despertador e antes do pão na chapa, releia este texto em voz alta e, se não for pedir muito, vez ou outra, finja que não ouviu a sua nutricionista e mantenha o miolo todo no pão.

A vida é mais que uma lista de tarefas

Conteúdo origina El País

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Vamos começar com um conto de fadas. O da Cinderela. Mas não nos importa tanto o sapato de cristal, nem a abóbora que se transforma em carruagem, nem o príncipe azul. Vamos prestar a atenção na quantidade de tarefas que Cinderela deve fazer antes ir ao baile. Esfregar, limpar, passar roupa, organizar, cozinhar e, de novo, esfregar, limpar, organizar… Logicamente, quando chega a hora de ir ao baile, que é o que ela realmente quer e o que vai mudar sua vida, está tão cansada que precisa da ajuda mágica da Fada Madrinha para conseguir. Sem isso, Cinderela teria ficado em casa, cansada e pensando com ansiedade em tudo que ainda precisa fazer e em tudo aquilo que não terá tempo de terminar.

Pois bem, nós não somos muito diferentes dela. Antes de poder ir aos nossos bailes, quer dizer, fazer aquilo que realmente queremos, que nos motiva e quem sabe até pode mudar nossas vidas, estamos submersos em uma quantidade infinita de tarefas: a casa perfeitamente organizada, a máquina de lavar trabalhando, a criança matriculada em quatro atividades extracurriculares; é preciso ser, claro, muito produtivo em nossos empregos, amantes excelentes e criativos com uma vida social rica, ativa e variada… e ter o Facebook atualizado. Ah, e seria bom comer cinco frutas por dia e correr 10 quilômetros e não ter olheiras e,… fazer, fazer e fazer. No final de nosso conto de fadas, o que acontece é que o baile sempre fica relegado para o dia seguinte, “quando isso acabar…”. E assim passam os dias.

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No mínimo, Cinderela tem uma ou duas desculpas. As malvadas meias-irmãs a obrigam e maltratam. Uma força externa a pressiona, submete e explora. Mas hoje nós mesmos somos as meias-irmãs. Byung-Chul Han, em seu famoso livro La sociedad del cansancio (A Sociedade do Cansaço), adverte que vivemos em uma sociedade de academias, torres de escritórios, bancos, aviões e laboratórios genéticos. Quer dizer, na sociedade do alto rendimento, do multitasking(multitarefa). E uma das características desta sociedade é que o indivíduo se autoexplora com o álibi da obrigação. As meias-irmãs estão dentro de nós, dizendo tudo aquilo que devemos fazer em uma contínua e excêntrica corrida em espiral. Porque hoje o único pecado é não fazer nada. Até os momentos de ócio ou os períodos de férias se transformaram em uma conjunção inesgotável de tarefas que nos deixam mais cansados do que quando começamos.

Além disso, como afirma o filósofo sul-coreano, ao não ter um explorador externo que possamos enfrentar com um forte “não!”, a luta termina sendo ainda mais complicada. No entanto, também é verdade que basta querer para vencer as duas meias-irmãs que nos tiranizam e desatar a magia da Fada Madrinha que temos dentro de nós.

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Devemos admitir então que estamos rodeados pelo afã de produtividade, que todos acabamos seduzidos por esses insuportáveis apps que nos alertam de tudo aquilo que ainda devemos fazer. Ou pelas cadernetas preparadas para fazermos listas de tarefas. Ou por livros que nos explicam como fazer tudo, como chegar a todas as partes e que o tempo renda mais. Mas chega o momento de abandonar essa loucura, porque no fundo, e paradoxalmente, não há nada menos produtivo do que o afã de produtividade. Byung-Chul Han assegura que o multitasking pode nos levar a um estado de atenção superficial e devemos levar em conta que as conquistas da humanidade aconteceram por causa da atenção profunda e contemplativa. Assim, também nossas conquistas dependem de saber colocar o foco e a atenção nas coisas importantes, nos bailes que valem a pena. E para isso vamos atacar o inimigo com as suas próprias armas e criar uma lista, só que inteligente, que sirva para nós e não que acabemos servindo a ela. Como?

O baile, em primeiro lugar. É preciso virar a lista de cabeça para baixo. Não deixar o baile para “quando acabar de fazer tudo isso”. Ocupar-se primeiro do fundamental, de nós mesmos. Começar o dia dedicando-se àquilo que sabemos que nos fará bem. Vamos imaginar que alguém precisa escrever um artigo e, antes de começar, no entanto, lê os e-mails pendentes, entra nas redes sociais e responde umas mensagens de Whatsapps. Resultado? Cansaço antes de começar. Cinderela pode ir ao baile e deixar essas outras coisas que exigem menos brilhantismo para depois.

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Bem, e o que fazemos com todo o resto? Porque está claro que há coisas que simplesmente não podemos deixar de lado. Como fazer, então? Dividir o registro de tarefas em três grandes grupos pode ajudar.

Coisas que devemos realizar. Fazer o que precisamos fazer. Depois de ir ao baile, não devemos deixar que essas outras coisas, que voltarão a aparecer cedo ou tarde, fiquem dando voltas por nossa cabeça. Por exemplo, uma ligação incômoda que vamos postergando. São três minutos! Mas se continuamos postergando, em lugar de 180 segundos, chegará a durar seis meses na nossa cabeça.

Coisas que devemos organizar. Não é preciso carregar tudo. Podemos delegar, pedir ajuda, dividir tarefas, conseguir que certas coisas aconteçam sem cair sobre nós.

Coisas que não devemos fazer. Com certeza, nesta lista há muitos elementos que realmente não são necessários. Que podem ser eliminados diretamente e, desta maneira, liberar espaço. Cada um deve decidir quais são. Mas é importante perceber que neste ponto encontra-se a primeira grande vitória pessoal para esquecer a voragem da hiperatividade sem sentido. Renunciar a tudo aquilo que nem contribui nem é estritamente necessário. Saber o que não é preciso realizar é tão importante quanto começar a fazer aquilo que é.

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Depois que conseguimos parar de correr nessa espiral do dia a dia, fruto desta sociedade da multitarefa, é o momento de começar a dançar. E o mais importante é descobrir qual é a nossa música. O que nos faz felizes. O que realmente importa. Sir Ken Robinson chama isso de elemento, e assegura que “descobrir o elemento é recuperar capacidades surpreendentes em nosso interior, e desenvolvê-las dará um giro radical não apenas no ambiente de trabalho, mas também nas relações e, no final, na vida”. A boa notícia é que todos estamos convidados a um baile no qual seremos protagonistas. Alguns já o conhecem e só devem manter na linha as duas meias-irmãs. Outros, ao contrário, ainda não descobriram seu elemento e deverão olhar dentro de si mesmos, pois ele está ali, esperando ser convidado a dançar. Se a resposta a estas três perguntas for afirmativa, é porque já a encontramos:

Temos vontade de dançar? Se não temos preguiça, se sempre que pensamos nisso ficamos animados, se quando estamos fazendo essa atividade, embora não seja tantas vezes quanto gostaríamos, fazemos com vontade e dedicação. Se a resposta é sim, atenção, pois pode ser nosso elemento. O baile que está nos esperando.

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O tempo para? Apesar das advertências da Fada Madrinha, Cinderela está tão encantada no baile que perde a percepção do tempo. Chega a meia-noite e ela nem se dá conta. Só as badaladas do relógio podem sacá-la do estado de flow no qual caiu, o verdadeiro feitiço cotidiano, que tem como característica a concentração de nossa energia e uma implicação total na tarefa, tal como foi definido por Mihaly Csikszentmihalyi em 1975. Se aqui a resposta é sim, com certeza esse é o baile que estamos procurando.

Vai se ativar a magia? A magia não é nada mais que a paixão. E a paixão é o motor da grandeza, da autorrealização e da capacidade. Se descobrimos aquilo que nos apaixona, seremos capazes de concentrar nossa energia nisso e descobrir que Platão estava certo quando afirmava que “todas as coisas serão produzidas em quantidade e qualidade superior, e com maior facilidade, quando cada homem trabalhar em uma única ocupação, de acordo com seus dons naturais, e no momento adequado, sem imiscuir-se em nada mais”.

Comer sem sofrer

Conteúdo original El País

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“Comer de forma compulsiva pode ser um comportamento substitutivo. Nem sempre é algo que se faz pelo próprio prazer de comer, e sim para mascarar emoções como a frustração, a raiva, a tristeza e a ansiedade, provocadas pelo estilo de vida, as circunstâncias de cada um ou a forma de interpretar o ambiente onde se vive.

Comer, além de ser vital para a sobrevivência, também pode ser um prazer. Não apenas o ato em si, mas tudo o que o cerca: a arte de cozinhar, compartilhar uma noitada com alguém, o que se conversa durante e depois da refeição. Mas o ato de comer também pode virar um inimigo; a geladeira, o rival a derrotar; um cálculo matemático contando calorias e desencadeando um sentimento de culpa por consumir o que é proibido, numa verdadeira luta contra você mesmo.

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Por que a ansiedade e a tristeza induzem ao consumo de alimentos calóricos, ricos em gorduras e carboidratos? São muitos os estudos demonstrando que alimentos como o chocolate reduzem a fome, melhoram o estado de espírito e estimulam a atividade. O consumo de carboidratos leva a estados de bem-estar e tranquilidade, e o açúcar influi na liberação de serotonina e endorfinas. Mas nem tudo o que reluz é ouro, pois um artigo da revista British Journal of Clinical Psychology informou que o prazer proporcionado pelo chocolate é de curta duração e costuma vir acompanhado de sentimentos de culpa para quem considera que não deveria consumi-lo.

A serotonina e as endorfinas desempenham um papel fundamental na regulação do bem-estar. As pessoas que não se realizam com o trabalho, que se sentem sozinhas, que se apegam a dietas impossíveis de seguir ou que vivem outras situações frustrantes acabam procurando consolo na comida, em lugar de solucionar o problema de origem. Afogar as mágoas abrindo a porta da geladeira e mantendo uma luta interna entre “quero comer, mas não devo” são atitudes que servem apenas como remendos para as emoções. Se isso realmente fosse eficaz, o sorriso e a tranquilidade ressurgiriam. Mas a verdade é que logo a pessoa volta a estar tão triste e ansiosa como antes de comer o que não foi uma escolha, e sim um impulso de saciar sua ansiedade.

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A relação entre emoções e alimentação é bidirecional. O que se ingere provoca mudanças na conduta: a cafeína do café excita e desperta, o açúcar e a glicose dão energia, e o consumo de álcool desinibe. Os estados de humor também interferem nos hábitos alimentares. Uma vida equilibrada favorece condutas saudáveis. Se alguém pratica esporte, descansa de forma apropriada, gosta do seu trabalho, aproveita o tempo livre e dispõe de tempo para cozinhar de forma saudável e comer pausadamente, tenderá a se alimentar melhor. Uma pessoa que se esforça em fazer exercícios também se esforçará em escolher alimentos saudáveis.

Outra das variáveis que causam angústia com a comida é a necessidade absurda de responder a um cânone de beleza relacionado à perfeição. Perder peso de forma saudável, como aconselham os nutricionistas, é mais uma questão de bom senso do que de experiências que provocam privações e depois geram um efeito rebote, alterando o seu humor.

Viver em paz para comer com tranquilidade

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Se você é dessas pessoas angustiadas com seu peso e com dietas e se deseja desfrutar da alimentação de forma tranquila e harmoniosa, experimente seguir os seguintes conselhos:

Tenha paciência e consiga um ritmo no qual tudo flua

Perder peso não é algo que se consiga da noite para o dia. Quanto mais exigente você for com seu objetivo, maior será a pressão. Seja sensato: é melhor um objetivo de longo prazo, que permita conciliar sua vida com as relações pessoais e o trabalho.

Não se trata de tudo ou nada

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O que se tenta conseguir de forma imediata pode gerar um efeito rebote. Não faça tolices com a dieta. Consulte um profissional para orientá-lo. Não há milagres na perda de peso.

Não abuse do autocontrole

As pesquisas sobre a força de vontade e o autocontrole indicam que o sucesso depende da sua capacidade de dizer não e de decidir o que é certo. Mas, se você estica a corda e não se permite uma escorregada de vez em quando, isso também poderá levar você a um fracasso maior.

Planeje-se

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Se você não quer comer o que não está nos seus planos, tenha a despensa cheia de coisas que esses planos permitem. Facilite. É muito difícil ter fome e não saber o que comer porque lhe faltam os alimentos permitidos. Não vá ao supermercado quando tiver fome.

Visualize aonde você quer chegar e como será sua vida quando conseguir o objetivo

Imagine o tipo de roupa que poderá vestir ou como se sentirá bem ao caminhar. Poderá começar a praticar esportes que agora cansam demais, e deixará de ter dores em articulações e complicações decorrentes do sobrepeso.

Seja flexível com você mesmo

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Não há por que ser perfeito. Exigir-se demais e não se permitir uma margem de erro elevará seu nível de ansiedade e insatisfação. De vez em quando, e de forma planejada, decida em que vai transgredir a dieta: um almoço com amigos, uns petiscos na noite de sexta-feira ou alguma comemoração. Agora, não use esse “capricho” para comer descontroladamente, valendo-se da mítica frase “amanhã começo outra vez”.

Procure argumentos

As pessoas geralmente não sentem empatia por quem é capaz de controlar uma situação à base de sacrifício e renúncias. Em muitos casos, seu sucesso é o fracasso de outros. Haverá muita gente que ira incitá-lo a fugir da dieta, porque fracassar e cair nas tentações fará de você “um dos nossos”. Use a técnica do disco riscado, que consiste em repetir muitas vezes, com o mesmo tom de voz, a mesma frase: “Obrigado, prefiro continuar na dieta”. Não tente se justificar nem convencer os outros. Quando perceberem que você tem ideias claras e não se deixa abater, abandonarão a provocação.

Saboreie a refeição

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Reserve um tempo para comer tranquilo, mesmo que seja só meia hora. Prepare uma salada atraente. A comida nos atrai não só pelo paladar, mas também pela visão.

Adie, não proíba

Quando sentir a necessidade imperiosa de um doce, não se martirize com um debate interno entre “poxa, vai lá, não tem nada de mais” e “o que você vai fazer com tudo o que já conseguiu?; nem pense nisso!”. Tente por conta própria adiar o desejo em lugar de proibir o capricho. O proibido é muito atraente, ao passo que adiar o impulso fará com que você se distancie dele e decida mais tarde se realmente continua com vontade ou se foi apenas um desejo momentâneo. Durante essa espera, acalme sua ansiedade com um chá, uma fruta ou com alguma atividade relaxante.

Pratique o bom humor e faça coisas agradáveis

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Aproveite a vida. Ela é mais do que perder peso. Faça esporte, saia com amigos, leia e procure o prazer em novos hobbies. Se o seu estado de espírito for positivo, não precisará recorrer à comida para se sentir melhor.

Às vezes não são os quilos que pesam, e sim a mochila cheia de frustrações, de obrigações, de submissão ao que vão dizer ou do fato de sermos coadjuvantes no filme da nossa própria existência. Antes de começar a riscar alimentos da lista, elimine o que lhe aperta na vida.”

10 segredos dos ‘antes e depois’ mais incríveis do Instagram

Conteúdo original de M de Mulher

Reprodução Instagram
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“Tirar fotos depois do treino!” Essa é a resposta de Kayla Itsines quando perguntamos o que fazer para não desistir depois de algumas semanas suando o top. E funciona! Com 3,5 milhões de seguidores em seu perfil no Insta (@kayla_itsines), a australiana publica todos os dias imagens da verdadeira transformação no corpo das mulheres que praticam o programa de exercícios criado por ela – e são inacreditáveis! Quer descobrir outras táticas da profissional para chegar lá? A gente conta aqui.

1 #FOCO

A sua versão 2.0 só virá com consistência. Isso significa ficar firme nos exercícios e também na alimentação. Eu sugiro fazer mudanças de verdade, porém aos poucos. Com persistência, você vai perceber que o seu corpo, naturalmente, transformará o hábito em um novo estilo de vida, que você não vai querer abandonar.

2 TEM QUE COMER

A mania – péssima! – de pular refeições priva o seu organismo de energia. Comer direitinho, durante todo o dia, sem excluir nenhum grupo alimentar, vai garantir que você tenha pique para encarar a sua rotina sem que a sua saúde (como o nível de açúcar ou hormônios) seja afetada.

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3 PRE-PA-RA

E não só as suas próprias refeições. Deixar a bolsa do treino pronta na noite anterior reduz as chances de faltar pela manhã. Planejar o exercício antes de começá-lo também é uma boa, pois faz com que você separe o tempo certo para completá-lo.

METAS NO PAPEL

Escrever os seus objetivos e dar uma olhadinha neles quando bater um desânimo é um truque perfeito para se lembrar do porquê de ter começado e se inspirar para continuar.

5 HIDRATAR NUNCA É DEMAIS

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Repor os líquidos que você perde treinando é essencial. Beba muita água o dia inteiro. Eu adoro misturá-la com limão ou outras frutas para deixar um sabor gostoso.

6 MAIS INTENSIDADE, MENOS TEMPO

Trabalhe eliminando todos os minutos que você perde na troca de exercícios durante o treino. Assim, os batimentos permanecem acelerados e você vai malhar em alta intensidade por um período consistente de tempo maior – fazendo a atividade valer mais a pena!

7 TROCAS ESPERTAS

Comer de maneira saudável não significa nunca mais aproveitar os seus pratos favoritos. Você ficaria surpresa com a quantidade de alternativas fit possíveis para as tranqueiras que amamos! Por exemplo, em vez de pedir uma pizza trash, faça uma em casa com massa integral, frango, abóbora e queijo de cabra. Troque carnes processadas, como presunto e salsicha, pelas magras, como frango. Se você ama massas, escolha um molho à base de tomate no lugar do creme de leite.

8 ALONGAR SEMPRE

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Ouça o seu corpo e tente incorporar um tipo de reabilitação na sua rotina. Como? Incluindo alongamentos antes e depois dos treinos. Além de prevenir lesões, vai melhorar a sua flexibilidade e também diminuir o risco de dores musculares pós-treino.

9 PESSOAS POSITIVAS SÃO MAIS LEGAIS

Eu A-M-O que as mulheres encorajem umas às outras a continuar firmes e fortes para atingir suas metas. Converse com alguém online que esteja passando pelo mesmo momento ou marque de treinar com uma amiga. O apoio de pessoas que estejam atrás de resultados parecidos vai deixar você motivada a continuar no novo estilo de vida saudável.

10 TREINOS VARIADOS

Se você começar a ficar entediada enquanto se exercita, mude a atividade. Experiência própria: incorporar vários estilos de treino ajuda a atingir melhores resultados em todas as áreas do seu corpo. Além disso, ter muitos exercícios diferentes é ótimo para manter essa hora do seu dia sempre animada.

Inspire-se em quem já seguiu o plano de Kayla e transformou o corpo:

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A saída da insatisfação

Texto de Karina Miotto
Publicado na Revista Bons Fluídos
“Se “a necessidade é a mãe da invenção”, como disse Platão, no mundo das emoções podemos traçar um paralelo e dizer que “a insatisfação é a mãe da motivação”. E nem precisa ser uma baita insatisfação para dar vontade de se mexer e mudar as coisas. “Somos seres desejantes. Estamos o tempo todo querendo algo”, diz o psicanalista Oswaldo Ferreira Leite Netto, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
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O profissional vai até mais além afirmando que a semente do descontentamento nasce conosco. E continua até o último suspiro de vida. O choro de um bebê, por exemplo, traduz um desconforto. Com o tempo, vamos só mudando a forma de dizer que assim não está bom. Ou seja, faz parte da natureza humana querer mais.
“A insatisfação é o motor de todas as buscas, a força que conduz à autonomia”, diz o psicanalista, que também dirige o Serviço de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Saber identificar o tipo de desagrado, contudo, é um passo fundamental nesse processo. É que existem, segundo o psicólogo Irineu Deliberalli, dois modelos de insatisfação: a do ego e a da alma.
A primeira está ligada ao universo da “criança interior”, relacionado aos primeiros 7 anos de vida, em que as experiências permanecem no subconsciente, com influência na vida adulta. É aquele lado “reclamão”, que espera que as coisas aconteçam de determinado jeito, sem se importar com as inúmeras variantes externas – start perfeito para a ansiedade, a raiva, o pessimismo e o desejo de controle.
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Na onda dessas emoções negativas, o risco é agir por impulso e causar estragos. Ou entrar no papel de vítima das circunstâncias. Um estrago. Ou entrar no papel de vítima das circunstâncias. Um exemplo simples: alguém que precisa pegar uma conexão aérea e não consegue porque o primeiro avião atrasou. Dependendo da maneira como se lida com o imprevisto, a situação pode seguir tranquila ou tensa.
A história é outra quando a raiz da decepção está na alma. “Nesse caso, o clamor vem do coração”, diz Deliberalli. Por maior que seja o incômodo, o desejo de encontrar respostas cria uma abertura para que o novo se manifeste e potencializa as chances de uma solução, mesmo que demore. Com isso, trabalhamos a paciência, da auto-observação e até da criatividade, ao questionar o que podemos fazer para que o desgosto momentâneo seja visto como um desafio instigante. Em matéria de satisfação abaixo da média, portanto, o problema é um só: como escapar da frustração que paralisa e pegar o impulso da motivação?

Se tá chato, agite

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É caso de trocar o refrão “I can’t get no satisfaction”, dos Rolling Stones, por um mantra mais positivo, como o da canção Do It, de Lenine: “Tá doendo, chora/ Tá caindo, escora/ Não tá bom, melhora”. O que poderia ser o hino do desencanto acaba servindo de incentivo, ainda mais no terceiro verso: “Se tá chato, agite” e, finalmente, na mesma música: “Não se submeta”.
Esse é o lado bom de um sentimento que poderia entorpecer, mas, bem canalizado, faz com que se saia da enganosa zona de conforto rumo ao terreno do desconforto – cheio de potencialidades. “Quando conseguimos encarar a insatisfação de frente, vemos que, na verdade, ela é um excelente alerta”, diz o educador ambiental Nicolas Gomez, por experiência própria.
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Nicolas, não faz muito tempo, vivia no piloto automático. O casamento de cinco anos dava óbvios sinais de desgaste, com brigas frequentes. No trabalho, o dia a dia também não empolgava. Mas, como podia-se dizer que estava tudo bem, afinal, o cotidiano seguia na medida do que é conhecido, Nicolas ia levando. Até que um dia não conseguiu mais mentir para si mesmo.
Quebrar com o que estava estabelecido exigiu coragem para deixar o orgulho de lado e assumir que a vida merecia revisão. Nesse momento de lucidez, é natural se sentir inseguro. Mas esse mesmo sentimento pode ser o ponto da virada. “Vulnerabilidade é o berço da inovação, da criatividade e da mudança”, diz Brené Brown, professora da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, e pesquisadora dos temas vulnerabilidade, coragem, autenticidade e vergonha.
Na dúvida sobre qual direção seguir, Nicolas teve uma atitude positiva: começou a meditar e abandonou temporariamente o cenário de sempre, embarcando em uma viagem voltada para a natureza e o autoconhecimento. Nessa pausa, veio a certeza do que já sabia internamente: nem o casamento nem o emprego combinavam mais com ele. Decidir mudar tudo de uma vez, não foi fácil, mas trouxe um aprendizado. “Hoje, quando sinto qualquer tipo de insatisfação, me afasto da rotina e mergulho no silêncio”, diz.

Perguntas pertinentes

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Para quem ainda está com a cabeça formigando, cheia de dúvidas, uma dica é se fazer perguntas como: “O que, em mim, atraiu essa sensação de desagrado?”, “O que realmente faz sentido?”, “Quais forças devo acionar internamente para mudar a minha realidade?”. Muitas vezes, há um evento que divide a vida em antes e depois.
Lembra da escritora Elisabeth Gilbert? A história da sua imensa infelicidade com o casamento e o trabalho, que a levou à depressão, deu origem ao best-seller Comer, Rezar, Amar (ed. Objetiva). Sua jornada com final feliz vendeu mais de 10 milhões de cópias pelo mundo. Ela ficou famosa, rica, casou de novo. Mas, logo em seguida, enfrentou uma nova avalanche de questionamentos.
As pessoas começaram a perguntar se ela não tinha medo de nunca mais fazer sucesso. E agora, como lidaria com as expectativas sobre o próximo livro? E se fosse um fracasso? Seria capaz de escrever algo tão bom outra vez? Diante da miríade de julgamentos e pressões, a autora diz que encontrou um porto seguro para onde volta todas as vezes que precisa calibrar o medidor da satisfação. Como sempre amou escrever, decidiu que continuaria dando seu melhor, mesmo que o melhor para ela fosse diferente da opinião das outras pessoas. “O que digo a mim mesma quando fi co realmente enlouquecida com isso é: não tenha medo. Apenas faça o seu trabalho”.
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Para Debora Noal, psicóloga da organização internacional Médicos Sem Fronteiras, a tranquilidade diante de uma nova escolha vem de uma coerência interna. “Quando decidi partir para a primeira de muitas missões humanitárias que faria, senti como se o Réveillon de Copacabana estivesse dentro de mim. Era uma satisfação plena!”, conta.
Elisabeth, Debora e também Nicolas (o educador ambiental) encontraram o caminho. Mas e quando a escolha não é tão clara? Vivemos em uma época em que as opções soam infinitas, como explica o psicólogo Barry Schwartz, no livro O Paradoxo da Escolha – Por que Mais é Menos (A Girafa Editora).
Como diante de um menu de restaurante de mil páginas, imaginando se a escolha do prato principal será a ideal – diante de tantos que parecem tão bons quanto aquele. Se não conseguimos dar um passo adiante na direção da escolha, a refeição pode virar angústia. Com a mudança, o processo é parecido. Se ficamos travados, mesmo sentindo que é necessário um movimento, provavelmente é porque, pouco à frente, temos vislumbres de julgamentos, fracassos, ou até mesmo de precisar vivenciar situações ainda piores. “A vida espera por você, de braços abertos, em toda sua beleza”, estimula Jamie Sams, em As Cartas do Caminho Sagrado (Rocco Editora). Confiar no poder do Universo é uma chave preciosa para sair da estagnação.

Menos culpa, mais coragem

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“Invariavelmente, ou a insatisfação paralisa ou impulsiona você”, afirma Rodrigo Fernandez, master coach e consultor de desenvolvimento humano. Quando não conseguimos sair do lugar – o que, nos casos mais graves, pode resultar em longos períodos de contrariedade e sofrimento – vale se questionar sobre o medo das consequências.
“Há momentos em que não nos sentimos prontos para avançar e o bom é refletir sobre isso com coragem, longe da culpa, pois essa sensação pode causar mais estagnação ainda e um quê de vitimização. Sem esquecer, aliás, que vitimizar-se pode ser uma estratégia para atrair amor e atenção”, pontua o psicoterapeuta junguiano Michel Zaharic.
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Neste capítulo, entra em cena o famoso medo do que os outros vão pensar. “Na escola, por exemplo, preparamos as crianças para o mercado de trabalho, não para serem bem-sucedidas emocionalmente. Crescemos perdidos em nossas emoções”, diz Zaharic. Faria diferença aprender que mudar é morrer para o velho e nascer para o novo. No entanto, o psicoterapeuta lembra que não somos treinados para lidar com a morte, nem simbolicamente. “Ela é fim de um ciclo e renascimento.”
Quando uma etapa termina, outra começa. Sempre. Vale a pena acreditar que a mudança trará novas alegrias e aprendizados. Para ajudar a sair do lugar, o coach Rodrigo Fernandez sugere: “Dê as mãos a quem fortalece você na jornada, busque alternativas, saia da inércia”. E lança o desafio: “Que tal, nas próximas 24 horas, tomar alguma atitude que combata sua insatisfação?” Faça um plano, pense em “como”, trace uma meta e parta para a ação.
Como disse Albert Einstein, “não há maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”. A frase lembra a fábula do clássico Quem mexeu no meu queijo? (ed. Record), de Spencer Johnson.
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Na história, dois ratinhos e dois duendes viviam em um labirinto à procura do queijo que os faria felizes. Depois de encontrá-lo, caíram na rotina. Já sabiam o caminho e o queijo estava ali, esperando por eles, diariamente. Tudo bem cômodo, até que um belo dia o queijinho sumiu. Na metáfora, o queijo representa os desejos humanos comuns, como ter um bom trabalho, boa saúde ou estar em um relacionamento amoroso.
A reação de cada personagem diante do inesperado, então, vai revelando lições. Os ratinhos, atentos, rapidamente encontram outro estoque do alimento. Já os duendes perdem tempo pensando que tudo vai voltar a ser como antes. Passam a se sentir frustrados, irritados e com menos energia, até que um dos duendes percebe a paralisia imposta pelo medo e começa a rir de si mesmo. “A vida segue em frente e nós também deveríamos fazer o mesmo”, ele conclui. A partir dessa decisão, eles passam a sentir um enorme senso de aventura e liberdade, embora não sem momentos de desânimo e de algumas dificuldades.

Satisfação e propósito

Valorizar cada experiência acaba por gerar um sentimento de gratidão que ajuda a ter mais calma e positividade para lidar com as adversidades futuras. Basta olhar para o lado e para nossa própria história para perceber a importância das conquistas diárias rumo à mudança que queremos. É um passo de cada vez. Um olhar com mais carinho para si mesmo, a mente que vai se tornando mais assertiva, um perdão aqui e acolá, uma decisão corajosa ou uma sabedoria que não se tinha antes, e o poder pessoal vai sendo resgatado e, com ele, a vontade de expandir horizontes.
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“Ostra feliz não faz pérola”, é a máxima do livro homônimo (ed. Planeta) de Rubem Alves, em que ele diz algo essencial sobre a importância da insatisfação: “Pessoas felizes não sentem necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída. Por vezes, a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade”.
É essa coceirinha que nos leva, de tempos em tempos, a repensar a própria trajetória, pegar de volta a bússola nas mãos, pedir demissão do trabalho, se separar, retomar uma atividade que dava prazer ou abandonar um velho vício. Insatisfação faz parte. E tem a capacidade de fazer cada um se reinventar.
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Quando isso acontece, o labirinto de impasses é desfeito, nem que seja por uma nova temporada, e se pode desfrutar da plenitude que o mestre espiritual indiano Osho descreve: “Você está obedecendo ao seu coração, você não está obedecendo a ninguém. Não está sendo forçado a obedecer. O seu amor é resultado da sua liberdade, sua confiança é resultado da sua dignidade – e ambos vão fazer de você um humano mais pleno”, ensina o mestre, satisfeito da vida.”